Índios Fulni-ô promovem apresentações em escolas

Duas vezes por ano, de março a maio e depois em julho, 50 grupos de índios da etnia Fulni-ô saem de sua tribo, em Pernambuco, e se espalham por cidades brasileiras. Sem caça, o deslocamento é necessário para a sobrevivência da tribo, que tem oito mil índios. Nesse período, eles vendem o seu artesanato, como cocares, colares, pulseira, arco e flecha para crianças, brincos e outros, para fazer uma reserva financeira e levar para sua terra. Tafkea é a liderança à frente do grupo que vem para o Rio.

— Na tribo há crianças e idosos que precisam que façamos esse trabalho. O pajé e o cacique, por exemplo, também não podem sair de lá. Por isso, os que viajam precisar prover a subsistência — explica o líder.

Uma das formas encontradas pelo grupo para juntar dinheiro foi promover apresentações em escolas.

— Nós gostamos muito de fazer esse trabalho. É a nossa chance de mostrar quem somos e um pouco da nossa cultura. Ficamos muito felizes por poder compartilhar nossa história, e enche o nosso peito de alegria ver que as pessoas estão com o coração aberto para nos receber, poder mostrar que somos todos iguais— destaca Tafkea.

As apresentações dos Fulni-ô nas escolas duram cerca de uma hora e são feitas por um grupo de quatro índios. São cobrados R$ 10 por criança.

— Cantamos, dançamos, contamos nossas histórias e pintamos as crianças. Tentamos mostrar que na vida não são os bens materiais que importam — conta Tafkea.

O líder diz que as crianças costumam ficar admiradas com as histórias que ouvem:

— Um menino me disse que queria ser igual a nós para caçar com arco e flecha e perguntou como podia ser índio. Disse que ele já era um índio, pois todos nós somos nativos, filhos dessa terra.

O índio destaca também a importância de as crianças aprenderem que é possível os diferentes povos conviverem em harmonia e revela a ansiedade do grupo para a reunião com elas.

—Na cidade encontramos com muitos adultos e poucas crianças. Nas escolas temos esse contato, é uma troca em que aprendemos também, é muito especial — diz.

Os Fulni-ô já estiveram em diversas escolas, entre elas Os Batutinhas, Santa Mônica, Carolina Patrício e Santa Beatriz.

— A mãe de um de nossos alunos nos falou desse trabalho. Trouxemos eles para passarem um dia conosco. Eles vieram em um grupo grande e até almoçaram com as crianças. Foi lindo e todos adoraram — diz Maria Amélia Peixoto Leite, coordenadora do ensino fundamental I do Carolina Patrício.

Quem quiser contratar os Fulni-ô pode entrar em contato pelos telefones: Tafkea (21 99852-0334) e Márcia (87 9642-2302).

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior