O despejo irregular de esgotoidentificado há uma semana na foz do Rio Cafubá e que desemboca na Lagoa de Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, segue sem controle. Equipes da Águas de Niterói realizaram uma limpeza no local na quinta-feira (23) e, desde então tentam identificar o responsável pelo lançamento, que poderá ser multado. Moradores e ativistas ambientais questionam a continuidade do despejo e da poluição histórica da lagoa.
Identificado após intensas reclamações de moradores do entorno da lagoa por conta de um forte mau cheiro, o despejo irregular de ‘efluente gorduroso’ está acontecendo na saída da galeria de águas pluviais da Avenida Francisco Gabriel de Souza Lôbo, próximo à pista de pouso de parapente do Cafubá. No entanto, moradores alertam que pode haver irregularidades em outros pontos, como na Ilha do Pontal.
De acordo com Gonzalo Perez, presidente do Conselho Comunitário da Região Oceânica (Ccron), o odor, que começou este mês, é comum durante o verão, quando o lodo (resultado de algas e esgoto) se desprende do fundo da lagoa e sobe para a superfície, numa coloração branca, deixando de apresentar a típica cor marrom. Ao secar, gera o mau cheiro.
— Vemos que há esforço dos órgãos, mas só a limpeza e vistoria não adianta. Os projetos têm que apresentar resultado. Um bolsão de esgoto foi retirado, mas o despejo continua. A poluição está piorando. Essa é a tendência, à medida que há mais pessoas e comércio no entorno da lagoa — lamenta.
Por toda a margem da lagoa, que beira os bairros de Cafubá, Fazendinha e Piratininga, há presença de lodo seco e branco. Moradores também reclamam que, ao passar por algumas ruas, é possível sentir cheiro de esgoto das bocas de lobo, que servem para captar apenas água pluvial.
— Ao entardecer, o mau cheiro fica ainda pior. Não conseguimos ficar na frente de casa, e isso também tem afetado nosso comércio, pois os moradores não conseguem sair de casa nem comer perto daqui. A cada ano piora. É uma obrigação cuidar do meio ambiente e não há nem fiscalização — reclama o comerciante Luciano Anchieta.
Segundo a Águas de Niterói, desde que o problema foi constatado, equipes estão atuando com os órgãos fiscalizadores para identificar possíveis contribuições irregulares no sistema de drenagem pluvial. Porém, até o momento, o responsável não foi identificado. Técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade também acompanham.
A concessionária ressalta que, junto ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) — também gestor da lagoa com o município —, atua com o Projeto Se Liga, com o objetivo de “identificar, conscientizar, notificar e, em último caso, autuar os imóveis que não estão ligados à rede de esgoto”. Na área do Cafubá e Fazendinha, foram realizadas mais de 1.200 vistorias.
Desde 2013, mais de 23 mil imóveis foram vistoriados em Niterói; destes, 997 não estavam ligados à rede coletora de esgoto e estão sendo sob monitoramento do Inea, uma vez que a responsabilidade de fazer a ligação é dos proprietários. A Região Oceânica tem rede coletora de esgoto e duas estações de tratamento (Itaipu e Camboinhas).
Até o momento, o Inea não respondeu aos questionamentos.
Obras de melhorias
Desde abril, o túnel subterrâneo que faz a ligação entre a lagoa e a Prainha de Piratininga está obstruído em consequência de um desabamento de rochas que impede a renovação das águas da lagoa. Segundo a prefeitura, no fim de 2019, ficou constatado que o acidente ocorreu devido a erros na obra do Inea de 2008 e que a responsabilidade de reparação é do Estado.
O Executivo municipal ressaltou que ofereceu ajuda necessária, incluindo estudos ambientais que verificam os parâmetros físico-químicos da água e sobre as causas do desmoronamento e que aguarda retorno do órgão estadual. Além disso, afirmou que “estão sendo realizados testes com técnicas alternativas para redução da quantidade de lodo acumulado na lagoa”. Detalhes não foram divulgados.
Ainda de acordo com a prefeitura, o Parque Orla de Piratininga terá licitação em fevereiro para o início das obras. O projeto contará com jardins filtrantes para tratamento dos rios que chegam ao espelho d´água; 9,5 km de ciclovia; praças com áreas de esporte e lazer. Outras iniciativas estão em andamento, como o estudo para indicar soluções para a despoluição do sistema e as obras de revitalização do Rio Jacaré, que desemboca na Lagoa de Piratininga.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior