Uerj oferece cursos para aprofundar estudos de diferentes religiões

Há séculos, o preconceito religioso vem causando sangrentas guerras e mortes mundo afora. A intolerância extrema, em muitos casos, fez surgir grupos radicais como Al Qaeda e Estado Islâmico. E, como consequência, ataques terroristas como o de novembro de 2015, em Paris, que resultou na morte de mais de 130 pessoas.

Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), porém, o convívio entre as diferentes crenças é um exemplo de paz e respeito. Desde 1993, o Programa de Estudos e Pesquisas das Religiões (Proeper), do Centro de Ciências Sociais, oferece diversos cursos, palestras, seminários e exposições que buscam divulgar o universo e a cultura particular de hindus, budistas, muçulmanos, judeus, cristãos, africanos e espíritas.

De acordo com Telma Simone da Gama, coordenadora executiva do Proeper, o projeto busca o aprofundamento das histórias e das questões culturais intrínsecas de cada uma das crenças religiosas.

— Nossa intenção não é lapidar e formar pastores, padres, rabinos ou pais de santo. Mas mostrar à sociedade o quanto os credos têm importância na evolução da humanidade. Todos têm uma cultura e histórias ricas e extensas que devem ser respeitadas — explica ela.

No Proeper, já foram organizados seminários com temas como “O papel da mulher evangélica na família e na sociedade” e “Grandes pensadores da religião hinduísta”.

A partir de março, a universidade oferecerá dois cursos focados em religiões de matrizes africanas: “Cânticos da África” e “A redescoberta do pantheon dos deuses africanos no candomblé e umbanda no século XXI”, ambas com as inscrições abertas.

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O professor de Matemática Sérgio Fonseca Pereira, de 72 anos, é ogan (aquele que transmite o som dos orixás no candomblé) desde os 15. É ele quem ministrará as aulas de “Cânticos da África”, que têm início no dia 10 e vão até 16 de junho, às quintas-feiras. O foco do curso é o candomblé ketú e tem como objetivo ensinar como se dá a comunicação em yorubá (dialeto africano) feita nos rituais aos orixás.

— Fazemos a tradução da língua yorubá no meio litúrgico e também ensinamos as dicções, a musicalidade, as bênçãos, os cumprimentos e as saudações — comenta Pereira. — Mostramos ainda os números, o alfabeto, os utensílios e os aparatos que são usados nessa religião. Os alunos aprenderão a fundo as raízes do candomblé.

Ainda no primeiro semestre será montada uma exposição sobre deusas africanas. E até o final de 2016, haverá outra sobre a história dos deuses egípcios.

Fonte: O Globo
Foto: Fernanda Dias / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior