O secretário de Polícia Militar do Estado, coronel Rogério Figueiredo, derrubou nesta quinta-feira a cobrança do prazo de 70 dias de antecedência para o pedido de ‘Nada Opor’ para os desfiles dos blocos considerados médios e grandes — entre duas mil e 20 mil pessoas e acima de 20 mil pessoas, respectivamente. A exigência provocou, anteriormente, o indeferimento pelo 2° BPM (Botafogo) de pelo menos dois grandes blocos tradicionais da cidade: o “Barbas”, que já desfila há 35 anos em Botafogo, e o Orquestra Voadora, que comemora o décimo desfile, no Aterro do Flamengo. Segundo os organizadores, a exigência não constava na portaria da RioTur, divulgada no dia 2 de janeiro, e não havia tempo hábil a partir da data até o Carnaval.
Representantes da Associação Sebastiana e da Liga dos Amigos do Zé Pereira, que organizam grandes blocos no Rio, participaram do encontro junto ao secretário e os comandantes de cada batalhão. Rodrigo Rezende, presidente da Liga dos Amigos da Zé Pereira, explicou que foi cobrada uma antecedência de 70 dias para a entrega de documentos exigidos para que o 2º BPM emitisse a autorização da PM para o desfile do Orquestra. Porém, segundo ele, o prazo iniciaria no dia da publicação da portaria, há menos tempo do que o prazo mínimo cobrado.
— A portaria que, na verdade, nem exige a documentação, tem menos de 70 dias. Teríamos que prever essa exigência ainda no ano passado para entregar no prazo – comentou Rodrigo.
Segundo ele, a portaria da Riotur, divulgada no dia 2 de janeiro, informava aos organizadores a exigência de documentações não cobrados nos anos anteriores. O texto não fazia alusão ao “Nada Opor” da PM, que foi cobrado dos blocos na fase da entrega definitiva da autorização pela Riotur, a menos de uma semana do carnaval.
Na reunião, o secretário de Polícia Militar decidiu que “a data de antecedência exigida anteriormente não será levada em consideração”, mas afirmou que os organizadores devem recorrer sobre os indeferimentos, nos batalhões onde deram entrada no pedido de ‘Nada Opor’. Segundo o coronel, a medida será válida para os blocos que já tinham dado a entrada na solicitação. O oficial garantiu ainda que Polícia Militar dará as respostas a todos os blocos ainda hoje para regularizar a situação, mas lembrou que a inscrição preliminar da RioTur é um dos documentos obrigatórios. A medida foi tomada para agilizar o processo e alinhada entre os comandantes dos Batalhões ainda com pendências.
Com a decisão, blocos como o Barbas e o Orquestra Voadora devem ser liberados pela PM. Uma fonte da corporação revelou que o efetivo humano necessário para fazer a segurança dos blocos já está acertada. Produtor do bloco Orquestra Voadora, Apólo de Souza, comemorou o posicionamento. No entanto, pontuou para o prazo curto.
— Parece que agora dará tudo certo. Vamos correr para conseguir todos os documentos e fazer o Carnaval de rua acontecer — comemorou.
Segundo um dos componentes que estava na reunião, o coronel ratificou que a corporação está em apoio ao Carnaval, e cada avaliação será feita individualmente.
Ainda nesta manhã, os representantes estiveram na Delegacia de Polícia Militar Judiciária, por indicação da própria corporação. Lá, foram orientados que a questão teria de ser solucionada pelo Quartel-General da PM.
Procurada, PMERJ ainda não respondeu sobre o que gerou o indeferimento de blocos que já desfilam há mais dez anos na cidade. Já a Riotur explicou que os 498 blocos autorizados pela prefeitura a desfilar foram orientados a buscar o ‘ok’ da Polícia Militar e dos Bombeiros para realizarem seus cortejos.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior