Reage Rio: Ministério do Turismo vai investir R$ 25 milhões para promover a cidade

Cidade boa para o turista é aquela que é boa para quem vive nela, diz o bordão. Com o Rio de Janeiro mergulhado em uma crise fiscal e econômica e enfrentando problemas com a segurança pública, o governo federal prepara um pacote de ações para recuperar a imagem do destino turístico como cartão-postal do Brasil. O Ministério do Turismo (MTur) e a Embratur vão investir R$ 25 milhões em campanhas publicitárias que começam a circular em novembro — para mídia impressa, rádio, TV e canais digitais — para promoção no Brasil e no exterior. O ponto de partida é uma pesquisa que cruza a forma como os turistas veem a cidade e o peso da segurança pública para o turismo carioca.

— O Rio é o cartão de visita do Brasil. Precisamos recuperar a imagem do destino aqui e lá fora. A pesquisa mostra que 95% dos turistas que estiveram na cidade em agosto pretendem voltar e 92% dizem que recomendariam o Rio para viagens. É um vetor para o desenvolvimento econômico — afirma o ministro do Turismo, Marx Beltrão.

No ano passado, o Rio recebeu 6,8 milhões de turistas, sendo 1,5 milhão de visitantes internacionais. Juntos, eles geraram uma receita de R$ 11,2 bilhões para a economia local. A campanha da Embratur também seguirá as informações da pesquisa, sendo adaptada para os mercados em que irá circular, como em países da América do Sul, como Argentina, Estados Unidos e Europa. Será uma ação antecipada do programa “Mais Rio, Mais Brasil”, que vai elevar o Rio à prioridade na divulgação internacional do país entre 2018 e 2022. A previsão do governo federal é que a arrecadação da cidade com o turismo pode saltar para R$ 45 bilhões por ano, contra os atuais R$ 11,2 bilhões.

Beltrão reconhece que a violência tem peso relevante na decisão de viagem do turista. É a principal desvantagem do Rio, segundo um grupo de mil pessoas de quatro cidades — São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre — ouvidas entre os dias 15 e 20 do mês passado. O levantamento, realizado pela FSBPesquisa a pedido do MTur, mostra ainda que mais de 70% dos entrevistados acreditam que melhorias em segurança pública seriam suficientes para atrair mais turistas à capital fluminense.

— A segurança sempre foi o calcanhar de Aquiles do Rio. É justamente por isso que as Forças Armadas estão aí (aqui), num esforço para conter o problema. Mas é claro que é preciso avançar para além da contenção, criando políticas públicas para equacionar o problema — ponderou o ministro, citando que os turistas avaliam que a presença do Exército nas ruas traz maior segurança e pode melhorar as condições.

BELEZA VENCE O CAOS, DIZEM TURISTAS

Na opinião dos turistas, contudo, o Rio continua a ter uma imagem mais atrelada à beleza do que ao caos. Os visitantes que estiveram no destino em agosto, associam principalmente as praias (19,8%) e o Cristo Redentor (15,7%) à cidade, à frente da violência (10,6%). E seis em cada dez turistas já vieram ao Rio antes. No total, mais de dois terços (67,6%) avaliam que as condições para o turismo na cidade são boas ou ótimas, destacando a quantidade de opções de lazer e cultura.

— É fundamental termos campanhas promovendo o Rio. Desde a Olimpíada, nada foi feito. A cidade dobrou a oferta de quartos e, em agosto, registrou 48% de ocupação média. Tem estrutura de qualidade e com preços competitivos para receber eventos diversos. Nos fins de semana de Rock in Rio, por exemplo, a ocupação decolou. Faltam campanhas e, em paralelo, temos o problema da segurança, a situação da Rocinha, há muita falta de planejamento — diz Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ).

O valor da diária média, continua ele, recuou em 22%, ampliando a atratividade do circuito carioca para quem viaja a lazer ou a trabalho. O preço, mostra a pesquisa, é o item que mais pesa na decisão de viagem do turista brasileiro com potencial para visitar o Rio, sendo citado por 65,1% dos entrevistados. O segundo fator decisivo na hora de escolher o destino da viagem é a segurança, segundo 59,2% das pessoas ouvidas.

O grupo de turistas ouvidos é composto em 53% por mulheres, tem em média 38 anos, sendo 43,2% com ensino médio completo e outros 32,2% com ensino superior completo ou incompleto. Mais de um terço (34,9%) trabalham com carteira assinada, enquanto outros 30% são autônomos, sendo a maior parte (27,5%) recebendo entre dois e cinco salários mínimos. Mais da metade viajam a passeio pelo menos uma vez ao ano.

UMA CENTENA DE EVENTOS EM 2018

Domingo, foi lançado o Rio de Janeiro a Janeiro, calendário que reúne uma centena de eventos previstos para acontecer entre o réveillon deste ano e o fim de 2018. É outra ação trabalhada entre a iniciativa privada e o governo para potencializar o número de visitantes que cada um desses eventos pode atrair à capital fluminense.

O calendário está inserido em medidas sendo estudadas por um grupo de trabalho interministerial, que reúne as pastas da Cultura, Turismo e Esportes, além da Secretaria da Presidência.

— São ações em segurança pública, recuperação fiscal e desenvolvimento econômico, com foco em geração de emprego e renda, criação de políticas sociais. O turismo está inserido nesse viés econômico — explica Beltrão.

Ao longo deste ano, diz o ministro, foram feitas campanhas para a promoção do turismo de regiões do país como o Nordeste, a Amazônia Legal e o Sul. A campanha do Rio vai alterar o cronograma previsto:

— Íamos fazer uma campanha para o Nordeste, focada em sol e praia. Mas com a importância do Rio para o país, decidimos fazer a campanha do Rio. Estamos pedindo dotação orçamentária extra para fazer também a do Nordeste.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior