Nasce um polo automotivo em Jacarepaguá

A cada automóvel ou moto lançados pelas montadoras, nascem novas lógicas e tecnologias que têm de ser absorvidas pelo mercado para prestar a devida e correta assistência aos novos proprietários. Essa é a principal lição aprendida nos 20 cursos agora concentrados na unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Jacarepaguá, localizado na Avenida Geremário Dantas 940, no Pechincha. A maioria deles é de aperfeiçoamento e qualificação profissional, e estarão disponíveis a partir de fevereiro.

Alguns cursos já eram ministrados em outras unidades e migraram para o local, que vai concentrar toda a formação profissional do setor automotivo, tornando-se o grande polo do ramo na rede no estado. A ideia é capacitar mão de obra de todo o Rio de Janeiro entre trabalhadores de concessionárias e de oficinas que queiram melhorar o atendimento ao público. Neste aspecto, o Senai surge com a condição ímpar de ter parceria com 11 montadoras para lecionar aquilo que acabou de ser concebido na fábrica. Informações preciosas que sem a chancela da instituição de educação tais alunos não teriam acesso por outros meios. E que, sem elas, colocam os proprietários de carros e motos à mercê de serviços não especializados e, portanto, de diagnósticos equivocados.

Allan José Alves Magalhães, coordenador operacional do Senai Jacarepaguá, explica que, em cenário de crise, o quadro de carência de mão de obra do setor automotivo no pós-venda, que já é grande, tende a piorar. Uma vez que as pessoas passam a comprar menos veículos novos, cresce a demanda por serviço em usados e semi-novos.

— Sempre vai faltar pessoal porque a indústria automobilística, com frequência, traz algo de novo. Os profissionais precisam compreender que a direção elétrica do motor muda conforme a montadora. Por isso, inclusive, a dificuldade de se ter uma oficina multimarca. Porque é preciso entender cada lógica da engenharia do carro e da moto conforme a empresa que gerou. E ter um carro significa ter cuidado constante. Não se trata de levar para a avaliação de um profissional só quando ele quebra. Tem que fazer a revisão periódica dos componentes — lembra Magalhães, garantindo que a procura pelos cursos cresceu.

Novidade. Magalhães, coordenador operacional do Senai Jacarepaguá – marcelodejesus / Marcelo de Jesus
Por isso, as aulas têm como público-alvo profissionais de concessionárias e das próprias montadoras, mas não se restringem a eles. Pessoas que busquem oportunidades numa dessas empresas da área ou até que pretendem abrir o seu próprio negócio são mais do que bem-vindas.

As acomodações para receber os alunos foram refeitas para propiciar a melhor estrutura de ensino nas aulas. Foram construídas oficinas numa área de 800 metros quadrados para os ensinamentos práticos e teóricos, com as mesmas ferramentas e maquinário usados pela indústria.

As aulas terão até 20 alunos por turma, o que significa que a primeira leva de alunos na unidade deve formar cerca de 400 profissionais. Isso sem considerar os enviados pelas próprias montadoras. Tamanho é o interesse do ramo em pessoal qualificado que o normal, diz Magalhães, é que o aluno já saia com emprego garantido.

— O salário médio de mercado varia de R$ 2.500 a R$ 5.500, dependendo do nível de qualificação. É interessante notar que este polo de educação no pós-venda para o setor automotivo é algo que não existe em outros lugares, como na Europa. É uma estrutura e uma oportunidade únicas que o profissional tem aqui no Senai Jacarepaguá — afirma Magalhães.

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PROMESSA DE ALUNOS SATISFEITOS

Quando era adolescente, Edson Silva de Lira aprendeu com o Senai a profissão que exerce há duas décadas. Hoje com 41 anos, o mecânico fala com orgulho que voltou para a sala de aula da instituição com o filho de 20, que agora está habilitado para seguir em sua profissão com o mesmo nível de excelência.

— Meu filho se formou em eletromecânica. Fiz questão que ele fizesse os cursos de mecânico de motores ciclo Otto e o de manutenção de ar-condicionado automotivo porque sei que são cursos que não têm igual no mercado. E tanto ele quanto eu adoramos tudo — diz Lira.

Ele conta que, após as aulas, pôde aumentar os serviços ofertados à clientela, que também cresceu.

— Sempre que é lançado um carro novo, eu dou uma atualizada nas classes porque não dá para ficar parado. Não fosse o curso de manutenção de ar-condicionado, não estaria trabalhando tanto. Tem muita gente querendo alguém que saiba fazer esse tipo de serviço — diz.

Ao fazer um comparativo com o que aprendeu quando ainda era garoto, Lira atesta que a sede por conhecimento foi fundamental para que ele tivesse o seu próprio negócio.

— Mudou muita coisa de lá para cá, principalmente com a injeção eletrônica. É tudo mais complexo do que era antigamente — comenta.

Ele conta que impressiona os clientes ao poder afirmar com segurança qual a origem do problema no carro, orientando-os a forma de utilizar um componente sem forçar e sem encurtar o tempo de vida útil do veículo.

— Isso fideliza o cliente, até porque o serviço que não é especializado é mais caro. A pessoa vai trocando tudo até parar de dar o defeito. Já eu consigo dizer “É problema no carvão”, “É o filtro”. Fica mais rápido o serviço também — gaba-se.

Gabriel Pereira de Oliveira resolveu fazer o curso de mecânico de ar-condicionado durante as férias da faculdade de Educação Física na UFRJ. Gostou tanto do que aprendeu que largou a formação na universidade.

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— Eu já tinha trabalhado em uma oficina multimarcas e queria me aperfeiçoar. Achei muito forte a aula prática, assim como os ensinamentos teóricos, que me faltavam — relata, deixando claro que fazer o curso foi um divisor de águas para entender a área. — Não sabia que existiam certas ferramentas para medir os componentes do motor. Elas são vitais para o diagnóstico e possibilitam configurar a peça como a especificada pelo fabricante.

Satisfeito com o que aprendeu, ele relata maior segurança no serviço, inclusive para arranjar emprego.

— Para todos os meus colegas eu recomendei fazer o Senai. Agora quero estudar manutenção de sistemas elétricos para ter uma visão mais global de como funciona o carro — conta ele, que pretende, no futuro, abrir a própria oficina.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Divulgação/Vinicius Magalhaes / Divulgação/Vinícius Magalhães