Simon Gale, treinador de ginástica artística da Irlanda, olhou para uma réplica de bolso da tocha olímpica e tentou entender o que havia de tão especial nela para custar R$ 110, na loja de produtos oficiais da Vila dos Atletas. Afinal, a peça é do tamanho de uma caneta. E mesmo uma caneta, como a exposta ao lado do símbolo olímpico, não sai lá muito em conta. Um kit com duas custa R$ 35. O mesmo valor está sendo cobrado por um simples abridor de garrafa com o logotipo do megaevento.
A loja tem sido muito procurada pelos moradores da vila nestes primeiros dias de hospedagem. Mas os preços altos talvez sejam um dos motivos para que muitos saiam de lá de sacolas vazias. Um travesseiro com a cara de Vinicius, um dos mascotes dos Jogos, custa R$ 160. O próprio mascote tem duas versões em pelúcia. A maior sai por R$ 180. A outra, R$ 115. O curioso é que não há réplica do Tom, o outro mascote da Olimpíada.
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O valor da caneca também assusta. Varia entre R$ 45 e R$ 70. Uma réplica um pouco maior da tocha sai por R$ 550. E sua versão inflável, parecida com aqueles bastões que os patrocinadores costumam distribuir para a torcida em eventos de basquete e vôlei, custa R$ 45. As camisas mais simples ficam entre R$ 80 e R$ 130. Um casaco, R$ 220. E o lencinho com as cores do Brasil custa R$ 225.
— Fiquei um pouco assustado com os preços. Mas nesses grandes eventos, geralmente, os produtos oficiais não são baratos. Também não posso reclamar muito. Moro em um país muito caro. Então, não está fora da minha realidade — disse Simon Gale.
Fora da vila, quem quiser uma lembrança dos Jogos tem a opção da Megastore Rio 2016, na Avenida Atlântica, em Copacabana, um dos cenários mais procurados por turistas. Ali, a miniatura da tocha também custa R$ 110. Já uma camiseta infantil oficial sai por R$ 80. Mas basta pegar o metrô e ir à Saara, famoso mercado popular no Centro do Rio, para encontrar camisetas para crianças, também oficiais, por R$ 34,90.
O boné à venda por R$ 39,50 no Saara – Custódio Coimbra / Agência O Globo
— Uma preocupação que tivemos foi licenciar produtos para atender toda a população brasileira, do público que pode pagar mais até o que gostaria de ter a nossa marca com um produto mais popular. São malhas diferentes, com cortes diferentes. Os bordados são mais caros. Os estampados, mais baratos. A ideia é democratizar o acesso e combater a pirataria — disse Sylmara Multini, diretora de Licenciamento e Varejo do Comitê Rio 2016.
O francês Pascal Le Maurice, que visita o Rio pela primeira vez e está hospedado na Lapa, deu sorte. Foi passear semana passada com a mulher, Palmira e, sem querer, se deparou com a loja oficial na Rua Senhor dos Passos, na Saara. Ele comprou uma camisa polo por R$ 59. Na Megastore de Copacabana, um modelo semelhante custaria a partir de R$ 140. Pascal quase não acreditou no preço.
— É oficial? — perguntou ele no caixa, antes de ver o selo holográfico na etiqueta. — Pela qualidade, o valor é muito bom. Vou levar como lembrança, já que não poderei ficar até os Jogos.
“É UM MOMENTO ÚNICO”
O desejo era o mesmo de turistas que circulavam pela Megastore de Copacabana. Todos queriam levar um pedacinho dos Jogos Olímpicos na bagagem. Gente como o empresário Marcelo Moraes, que faria no Rio apenas uma conexão no trajeto entre Porto Alegre e Recife, sua terra natal, mas resolveu descer em solo carioca e comprar outro bilhete aéreo, só para desbravar os produtos olímpicos.
— É um momento único — destacou o empresário, que não economizou nas “comprinhas”. — Levei uma miniatura da tocha, duas camisetas, um conjunto de canecas, um protetor solar… gastei R$ 410.
Dois jovens fantasiados de gregos vendem tocha de isopor por R$ 10 – Hermes de Paula / Agência O Globo
Mas cariocas e turistas também encontram produtos fora das lojas oficiais. Na semana passada, dois jovens de Recife, que não quiseram se identificar, vendiam na Praça Mauá réplicas de isopor da tocha olímpica a R$ 10 cada. A polícia, no entanto, está atenta à pirataria. Agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) apreenderam, na feira turística de Copacabana, 1.300 itens exibindo os símbolos olímpicos, como camisas e canetas. Em lojas da Saara, foram apreendidos, entre outros, cem camisetas, 84 chaveiros e 20 almofadas. Os vendedores foram autuados em flagrante por violação de direito autoral porque os produtos não eram licenciados.
Fonte: O Globo
Foto: Victor Costa
Postado por: Raul Motta Junior