A ideia surgiu dentro de casa. Quando a filha Valentina nasceu, há três anos, Clarice Manhã pensou: “O que essa criança vai comer?”. Jornalista especializada em reportagens sobre agroecologia, ela era mais crítica do que ninguém em relação aos alimentos vendidos nos mercados. Decidiu, então, chutar tudo para o alto e resolver a questão da filha.
Clarice fez uma horta orgânica em sua casa, em Maria Paula. Plantou inhame, tomate, cenoura, beterraba… Com o marido, o agrônomo Thiago Catikue — que ela conheceu fazendo reportagens sobre o assunto —, fundou a Bendita Quitanda.
Em alguns meses, sua produção cresceu e ela começou a vender na feira de orgânicos de Itaipu, todo sábado de manhã, e também para alguns clientes, de porta em porta. O negócio deslanchou, ela se aproximou do curso de Nutrição da UFF e hoje preside a Associação Fluminense de Famílias Agroecológicas, que toda terça, das 7h às 15h, promove uma feira no Valonguinho. O mesmo grupo está no shopping Pátio Alcântara na segunda quarta-feira do mês.
Clarice poderia se contentar em comercializar seus produtos sem agrotóxico e preço justo, mas o pulo do gato foi quando o pessoal do Mística Pizza, no Reserva Cultural, conheceu seu trabalho. “Eles valorizam ingredientes orgânicos e, além de me ter como fornecedora, propuseram que montasse uma horta no Reserva”, conta.
Na verdade, são duas hortas. Uma já pode ser vista na entrada do estacionamento, à esquerda. A outra, maior, está escondida atrás do Rolo, o prédio redondo ainda desativado. Tem rúcula, tomate, brócolis americano, espinafre, tomate, alecrim, três tipos de alface e mais uma dezena de verduras e legumes.
Clarice passou a ser chamada para montar hortas também em condomínios e casas. “Até em apartamento é possível”, diz ela, que se empolga ao falar da nova profissão: “Eu hoje conecto pessoas que produzem e que buscam alimentos com alto valor nutricional”. E ela própria ganha em qualidade de vida. “É uma espécie de hortoterapia”, brinca.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior