Um grupo de patinação familiar vem colorindo os tons de cinza do Teatro Popular, no Caminho Niemeyer. Criado por três mulheres que se aproximaram, a princípio, pela paixão pelos patins e, depois, descobriram que tinham muito em comum, o Patinar Alegra a Alma reúne mais de mil seguidores nas redes sociais e, além da patinação cotidiana, promove eventos temáticos, onde todos vão vestidos a caráter. O último foi de Halloween, e o próximo será de Natal, dia 17, a partir das 15h.
Indicada por sua psicóloga e sua psiquiatra a fazer uma atividade física que lhe desse prazer, para auxiliar no tratamento de crises de síndrome do pânico, a fonoaudióloga Carla Môça resolveu, em março, tirar do armário os patins que ganhou de presente dos seus filhos quase um ano antes. Para lhe fazer companhia ela chamou a amiga Juliane Viana, que é professora de educação física e já andava de patins com os filhos há seis anos.
— Combinamos de patinar por cerca de uma hora nesse primeiro dia, mas foi tão bom que ficamos a tarde inteira. Na semana seguinte, resolvemos ir de novo e começamos a nos reunir com nossos filhos todo fim de semana no Teatro Popular. Em menos de um mês conhecemos a Virgínia, que se juntou a nós, e fomos atraindo cada vez mais pessoas. A ideia, no início, quando criamos o perfil no Instagram, era reunir mulheres da nossa faixa etária, mas fomos agregando também pais, filhos, avós. Hoje somos uma grande família — conta Carla, que desde então não parou mais de deslizar sobre rodinhas.
Foi a partir da entrada da profissional de propaganda e marketing Virgínia Mayrinck que o grupo Patinar Alegra a Alma ganhou uma identidade visual. Coincidência ou não, Virgínia também resolveu começar a patinar após ter um quadro de transtorno de ansiedade. Um dia estava com as filhas no Teatro Popular, conheceu Carla e Juliane, e nunca mais se desgrudaram.
— Nossa história de vida é parecida. Temos em torno de 40 anos, somos mães que decidiram se afastar por um tempo do mercado formal de trabalho para ficar mais próximas dos filhos. Depois de um tempo, eu e a Carla descobrimos que tínhamos passado por problemas de saúde parecidos. Aos poucos, conhecendo melhor outras pessoas do grupo, também descobrimos muitos casos de depressão. Os patins mudaram nossas vidas completamente — comemora.
As amigas criaram produtos que são comercializados entre os membros sem fins lucrativos, apenas para gerar fluxo de caixa — broches, camisetas e adesivos — e ajudar nos eventos. Novos membros são bem-vindos e acolhidos pelos demais participantes, que dão dicas para os iniciantes.
— Não damos aulas, até porque não somos profissionais, mas auxiliamos as pessoas que querem se juntar ao grupo e não têm habilidades com os patins. Vamos dando dicas e acolhendo, trocando informações sobre os melhores tipos de patins para cada um, ajudando os que estão começando a se equilibrar, e por aí vai — afirma Carla.
Uma tradição dos encontros de patinação é o lanche coletivo. Para o piquenique de Natal, as guloseimas deverão ser temáticas, levadas em porções individuais.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior