Além da tranquilidade necessária para enfrentar o desafio de uma prova, a estabilidade emocional dos alunos é testada durante toda a vida escolar e também nas relações pessoais, com impacto direto na performance de cada um. Pensando em torná-los mais habilidosos para lidar com as adversidades, projetos em escolas e cursos utilizam de tecnologias avançadas aos tradicionais livros para promover atividades extraclasse que contribuam para a perda da timidez, a conscientização sobre o abuso de substâncias que provocam dependência e até as consequências do bullying.
O Projeto Edupark/Cesgranrio, parceria do Instituto Antares — coordenado pelo escritor, jornalista e educador Arnaldo Niskier e sua filha, a psicóloga Andréia Niskier Ghelman — com a Fundação Cesgranrio, é levado anualmente aos alunos da Escola Municipal Leonel Azevedo, no Moneró. O programa educacional voltado para estudantes dos ensinos fundamental e médio promove uma experiência em tecnologia em terceira dimensão, para debater temas científicos, sociais e culturais.
Os estudantes são confrontados com assuntos relativos a meio ambiente, prevenção ao uso de drogas e bullying, que são abordados nos filmes “Planeta casa”, “Dependentes da vida” e “Livre para ser”, respectivamente.
PROJEÇÕES EM 3D
As apresentações são realizadas para grupos de até 150 alunos, com o uso de tecnologia 3D e de controle remoto. Após as exibições, os alunos respondem livremente às perguntas sobre os temas apresentados, utilizando os controles. Outras questões também são debatidas, como geologia (pré-sal), animais, corpo humano, arte, história, arquitetura, ecologia e educação cívica, explica Andréia, diretora-executiva do Edupark/Cesgranrio.
— Partimos do princípio de que experiências multissensoriais transformam mais do que a informação pura e simples. É uma maneira diferente de aprender, com uma proposta lúdica — afirma.
O projeto Edupark/Cesgranrio é oferecido de forma gratuita a escolas da rede pública. Em 2016, quando completou um ano de existência, a iniciativa alcançou o total de 32.472 alunos, de 95 escolas. No segundo ano, em 2017, o número foi de 32.144 alunos assistidos, em 71 escolas. O projeto chegou ao terceiro ano, em 2018, com 31.507 alunos e 76 escolas.
PERDENDO A TIMIDEZ
Estudantes inseguros tendem a encontrar mais dificuldade para interagir com os colegas, sobretudo quando nas aulas é exigido que falem uma língua que ainda não dominam. Pensando em quebrar as barreiras causadas pela timidez, o Yes! Idiomas, na Estrada do Galeão, promove regularmente clubes de leitura, sessões de cinema e diversas atividades extraclasse que utilizam ferramentas variadas, da música à culinária, para fazer com que os alunos fiquem mais soltos.
— Nós estamos aumentando gradativamente o número de atividades nesse formato, porque os alunos apresentam bons resultados. Como durante as aulas o conteúdo é mais preso ao cronograma, é nessas atividades que puxamos para o lado mais sociocultural da língua, o que torna o aprendizado mais fácil. É uma atmosfera menos formal, que os deixa mais confortáveis e seguros para quando estiverem em uma situação de viagem, por exemplo, na qual precisam se coomunicar. A ideia é deixá-los mais à vontade para o uso do vocabulário — explica Alexandra Machado, diretora da Yes! Idiomas. — Os resultados têm sido tão positivos que estamos pensando em levar a ideia para as aulas com adultos.
Participando há quatro meses das atividades de interação e das vivências propostas pelo Yes! Idiomas, o estudante Manoel Lyrio Galembetk, de 7 anos, já mostra muito mais habilidade para driblar as limitações impostas pela timidez, segundo a sua mãe, Janine Lyrio. Ela diz que o filho sempre foi extrovertido, mas na pronúncia das palavras em inglês, por exemplo, ficava travado, não evoluía.
— Ele sempre gostou de música e passou a ficar mais seguro para cantar em público trechos das músicas cujas letras eram reconhecidas. Ele até faz traduções e comenta o conteúdo quando reconhece. Acho que isso acontece porque essas atividades o deixam mais próximo de situações reais. Isso faz com que tenha um entendimento maior da língua, porque não fica só na gramática. É algo que favorece também o vocabulário. Às vezes, ele está tão seguro que até questiona as legendas dos filmes — observa Janine.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta junior
Foto: Guga Melgar / Divulgação