Com a equação da crise no Rio longe de deixar o horizonte, os primeiros nomes confirmados na equipe do governador eleito Wilson Witzel vêm justamente da área econômica, enquanto se cogitam também possíveis quadros para a segurança pública, outro tema-chave da corrida eleitoral. A comissão de transição de governo, por exemplo, já começa a reunir hoje, no Palácio Guanabara, e será coordenada por um executivo ligado ao mercado: José Luís Cardoso Zamith. A presidência do Rioprevidência ficará a cargo do atuário Sérgio Aureliano Machado. Enquanto a economista Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro e atual secretária-executiva do Ministério da Fazenda de Michel Temer, é o nome que Witzel pretende emplacar na Secretaria de Fazenda.
Conheça quem são os nomes confirmados e também os cogitados para integrar a equipe do futuro governo.
Coordenação da transição
Secretaria de Fazenda
Rioprevidência
Segurança
Lideranças na Alerj
Coordenação da transição
Nome técnico para a coordenação da transição de governo, José Luís Cardoso Zamith até então era diretor administrativo de uma consultoria para desenvolvimento de negócios na América Latina. Entre 2007 e 2012, o executivo teve passagens também por empresas como a Embraer, o grupo francês Thales e a Nokia-Siemens Networks.
Assim como Witzel, no entanto, Zamith já foi fuzileiro naval. Oriundo do tradicional Colégio São Bento, no Rio, sua formação acadêmica começou, na Escola Naval, onde se formou em Ciências Navais, em 1994, e exerceu cargos como professor e instrutor. Foi em 2001 que ele ingressou na Fundação Getúlio Vargas (FGV), instituição na qual concluiu seu mestrado em Administração Pública em 2006. Além disso, Zamith possui MBA em Administração no TRIUM Global Executive MBA, que reúne a Escola de Negócios da Universidade de Nova York, a Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Escola de Altos Estudos Comerciais de Paris.
Secretaria de Fazenda
O intuito do novo governador é que a Secretaria de Fazenda seja ocupado pela economista Ana Paula Vescovi, atual secretária-executiva do Ministério da Fazenda de Michel Temer. Conhecida como “linha dura”, chama atenção que ela era Secretária do Tesouro Nacional na época da assinatura do Plano de Recuperação Fiscal do Rio. E foi também uma das responsáveis pela demora da assinatura do acordo, já que o órgão federal questionava de onde sairiam os R$ 4 bilhões necessários para fechar as contas do estado.
Witzel, que defende mudanças nos termos do plano, inclusive telefonou anteontem para o governador Paulo Hartung, do Espírio Santo, estado em que Vescovi foi secretária e implementou um ajuste fiscal. Um dos obstáculos às pretensões do governador, no entanto, seria que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, também tem planos de manter a secretária-executiva em algum posto de seu governo.
Antes também cogitado para a Fazenda, o economista Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do BNDES e correligionário de Witzel no PSC, ainda não é carta fora do baralho. Foi oferecida a ele a participação na futura administração, não necessariamente num posto tão técnico quanto a Fazenda.
Rioprevidência
Já foi batido o martelo, contudo, para a presidência do Rioprevidência. A missão de tentar desatar nós no setor, crucial para dar rumo às finanças do estado, será do atuário Sérgio Aureliano Machado. Com mais de 40 anos de carreira, Aureliano trabalhou em fundos privados e, em 1996, ingressou no Banco Mundial. No ano seguinte, foi cedido para o antigo Ministério da Previdência Social, onde participou da elaboração da Emenda Constitucional nº 20, que alterou o sistema de previdência no fim da década de 1990.
Também árbitro de futebol, nos últimos anos ele é consultor da Confederação Nacional de Municípios e atuário na previdência de cidades de vários estados, entre elas Piraí e Búzios, no Rio. Faz dois anos que ele conhece Witzel, ao atuar como perito na Vara Federal do Rio, da qual o novo governador é oriundo.
— Minha tarefa será árdua. Levantamentos apontam que 37% do orçamento do Rio é comprometido com a Previdência. É um assunto que passa muito pela Secretaria de Fazenda, porque é um problema muito mais financeiro do que técnico. Além disso, temos que avaliar a questão social envolvida — afirma Aureliano sobre as futuras funções.
Segurança
Na segurança, conforme adiantou a coluna de Ancelmo Gois, o delegado Marcus Vinicius Braga, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), e o coronel da reserva Fernando Belo são os mais cotados para assumir, respectivamente, os comandos da Polícia Civil e o da Polícia Militar. O primeiro é também ex-jogador profissional de futsal. O segundo, formado em administração de empresas. Ambos negaram terem sido sondados para os cargos.
Os dois se tornaram conhecidos em suas corporações por serem extremamente operacionais. Diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), Braga foi um dos responsáveis pela prisão, em 2008, do traficante Alexander de Jesus, o Choque, um dos principais traficantes da maior facção criminosa do Rio e que tinha forte atuação no Complexo da Penha, na Zona Norte. A prisão foi feita na Paraíba, por homens da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), que era comandada na época pelo delegado.
Já o coronel Fernando Belo atualmente é presidente da Associação de Oficiais Militares Estaduais (Ame). No ano 2000, foi responsável pelo comando das unidades de policiamento da capital e não hesitou em atuar com energia. No mês de novembro daquele ano, Belo usou um bastão d e madeira para quebrar vidros de 148 táxis, a fim de acabar com um protesto que parou o trânsito no Rio. Os veículos haviam sido abandonados por seus motoristas sem as chaves e com o freio de mão puxado. Todos os veículos foram apreendidos.
O coronel da reserva apresentou Witzel e o então candidato Eduardo Paes aos oficiais da PM, durante sabatina pré-eleitoral na sede da Ame. Chegou a declarar nas redes sociais seu voto em Paes. Após o fim das eleições, ligou para Witzel. E explicou, no telefonema, que havia dado sua preferência apenas como cidadão, por conta de um vereador ligado a Eduardo Paes que ajudou na luta para impedir a venda do prédio do Quartel General da PM. Em seguida, disse para Witzel que Ame daria todo o apoio que fosse preciso para o governador eleito. Procurado pela reportagem, o oficial disse que não ter recebido qualquer convite oficial para ser comandante.
— Não recebi nenhuma sondagem. A princípio é apenas especulação — disse o oficial de 70 anos.
Ex-jogador de futsal que chegou a atuar em clubes como Flamengo e Tio Sam, o delegado Marcus Vinicius Braga conheceu Wilson Vitzel há cerca de um ano e meio, quando esteve à frente da 20ª DP (Vila Isabel). Na época, o ex-juiz era integrante do conselho comunitário do Grajaú e esteve na delegacia para conhecer a unidade. O delegado também negou ter recebido convite para assumir qualquer cargo no novo governo.
— Desde que o conheci, naquela oportunidade, só tive admiração e respeito. Não houve qualquer convite ou sondagem — disse o delegado.
Lideranças na Alerj
Já na articulação política, a expectativa gira em torno sobre quem será o líder do governo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O deputado Rodrigo Amorim, do PSL de Bolsonaro, é um dos nomes cogitados. Na campanha, ele foi filmado num comício com uma placa quebrada da vereadora assassinada Marielle Franco. Para a presidência da Casa, três nomes aparecem na disputa: André Ceciliano (PT), André Corrêa (DEM) e Márcio Pacheco, do PSC de Witzel, ligado ao movimento carismático da Igreja Católica.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta junior