Eles levantam peso, pulam, saltam, fazem flexão de braço, agachamento, corrida… Muita gente já cansou só de ler. Mas para um grupo de apaixonados por exercícios físicos, essas atividades fazem apenas parte de mais um dia normal de aula. Assim são práticas como o crossfit e o treinamento funcional, que vieram para ficar na região, e a cada dia conquistam novos adeptos. Em comum, trazem a proposta de se exercitar sem cair na rotina.
— Tanto o crossfit quanto o funcional não trabalham com séries prontas. Cada aula é de um jeito e as pessoas adoram novidades — explica o professor Rafael Signorelli, que dá aula de funcional na academia Fórmula da Ilha.
Ele conta que a aula tem duração aproximada de uma hora, e que mexe com todo o corpo. Para os praticantes, traz benefícios como a perda de gordura e o ganho de massa muscular, a melhora da parte cardiorrespiratória, de postura, equilíbrio, flexibilidade, entre outros.
— Quem começa a praticar dificilmente abandona. É apaixonante — diz Signorelli, lembrando a importância de uma avaliação médica antes de iniciar qualquer atividade física. — Tem que começar devagar e fazer dentro do seu ritmo. Não é uma competição.
Quem se apaixonou pelo treinamento funcional foi a publicitária Mariana Bechara, de 35 anos. Ela, que sempre praticou exercícios, conheceu a prática em 2010, quando se preparava para o seu casamento.
— O circuito foi amor à primeira vista porque nele consegui perder peso, ter dinamismo, trabalhar força, respiração, equilíbrio. Fora ser uma atividade coletiva, coisa que sempre busquei nas academias, por ser uma oportunidade de trocar com outras pessoas — afirma.
Mariana começou as aulas com Signorelli em março do ano passado, quando se mudou para a Ilha. Ela diz que hoje, ao ver seu corpo no espelho, percebe, com orgulho, o que conseguiu conquistar com muita dedicação e disciplina:
— Tenho uma filha de 4 anos e um corpo definido. Não passo nem perto da musculação ou faço dieta regrada.
Quando o assunto é crossfit, uma das principais referências na Ilha é a Crossfit IG, que tem três anos de existência e mais de 250 alunos nesta modalidade. Para o fundador João Luiz Moreira Neto, hoje a procura é maior porque as pessoas já sabem que o crossfit apresenta resultados.
— É, sem dúvida, uma atividade muito democrática. Temos do aluno que era sedentário ao ex-atleta que tem chance de viver a vida desportiva novamente. Todos podem praticar — diz Neto.
Ele explica que o crossfit é um treinamento de força e condicionamento físico baseado em determinados movimentos funcionais, feitos com alta intensidade e variação constante.
— Esses movimentos se enquadram em três modalidades: levantamento de peso olímpico, ginástica olímpica e condicionamento metabólico ou cárdio — explica.
O microempresário Gustavo Coutinho, de 36 anos, começou a fazer crossfit há um ano. Ex-fumante, ele era sedentário quando fez uma aula experimental a convite da mulher, que já era aluna da academia:
— Confesso que me assustava um pouco ver aqueles pneus e cordas. Achava tudo meio pesado. Eu jamais ia conseguir. Mas desde a primeira aula me surpreendi porque fugia da mesmice. Por aqui, todo dia é um desafio.
Com o tempo, Coutinho foi conhecendo todas as técnicas e aprendendo a superar seus próprios limites.
— Durante este ano, a mudança que vi foi radical em termos de condicionamento e disposição — conta ele, que deixou para trás a velha desculpa da falta de tempo. — Hoje eu acordo mais cedo e faço o crossfit antes do trabalho. Abandonei o cigarro e agora esse é o meu novo vício. Muito mais saudável, é claro.
Outra que foi fisgada pelo crossfit é Michelle Lecce, de 42 anos. Ela gostou tanto que acabou se tornando sócia de João na Crossfit IG.
— Meu ramo nunca foi saúde. Minha área de atuação eram as festas. Não tinha qualidade de vida alguma. Trabalhava a semana toda e intensificava no fim de semana. Foi quando meu marido me sugeriu fazer uma atividade. Eu me encantei — diz.
Segundo Michelle, toda a família pratica hoje crossfit, inclusive o filho de 15 anos e o de 10 (numa aula específica para as crianças).
— Hoje sou muito mais ativa, ando mais. Meu carro fica praticamente estacionado a semana toda. Busquei qualidade de vida e me encontrei — afirma Michelle.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior