Nas últimas duas semanas, um caso vem preocupando moradores do Recreio: o aparecimento de jacarés mortos no Canal das Taxas, provavelmente em decorrência da poluição local. Tudo começou na semana passada, quando o biólogo Ricardo Freitas divulgou que haviam morrido cinco animais. A Secretaria municipal de Meio Ambiente (Smac) confirma apenas uma, mas diz que vai vistoriar o curso d’água em busca de possíveis carcaças.
Especialista em jacarés, o biólogo Ricardo Freitas diz que foi alertado por moradores da região sobre as mortes, ocorridas entre os parques Marapendi e Chico Mendes. O problema, explica, é a dificuldade de averiguar a causa da morte dos animais — cujas carcaças já estavam em estado de decomposição quando foram encontrados — devido à ausência de monitoramento. Segundo Freitas, ao menos uma hipótese já está descartada: não havia nos jacarés sinais de ferimentos indicando que eles pudessem ter sido abatidos por caçadores.
— Podemos trabalhar com diversas alternativas; o ambiente é completamente poluído. Se for algo pontual, como a ingestão de um determinado alimento, é mais simples de se resolver. Mas, se for um patógeno, uma toxina disseminada na água da lagoa, pode ser um perigo maior. As carcaças não foram recolhidas a tempo, nem o material, conservado devidamente (para se verificar a causa das mortes) — explica Freitas.
O biólogo Mario Moscatelli diz que é comum encontrar dois jacarés mortos por mês, em média, no sistema lagunar da Barra. O surgimento de um número maior em um período mais curto chamou sua atenção.
— Pode ser morte por contaminação de esgoto ou alimentos envenenados. O problema é a falta de gestão no local — diz Moscatelli, que também flagrou um jacaré morto na Lagoa de Jacarepaguá no último dia 12, além de muitos peixes mortos, na mesma lagoa, na segunda passada.
Ricardo Freitas conta que fazia um trabalho de monitoramento dos jacarés da região até 2014, quando perdeu a sua licença de pesquisa. Ele culpa um desentendimento com a gestão do Parque Marapendi, em razão do método utilizado para marcação de jacarés, pelo cancelamento. A Smac, por outro lado, diz que a autorização de Freitas só vigorou enquanto ele realizava sua tese de mestrado, e que o processo de renovação da licença foi arquivado por falta de documentação.
— Reclamaram da forma como eu fazia a marcação dos jacarés, sendo que esta é uma metodologia científica normal. Tentei me justificar e entreguei uma carta do Crocodiles Especialist Group, que foi ignorada. Continuo o trabalho de resgate, como sempre, mas não posso mais fazer o monitoramento. Nas lagoas eu ainda o faço, porque tenho licença do Ibama — afirma Freitas.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior