Os novos moradores do Parque Nacional da Tijuca (PNT), que chegaram em janeiro, estão se adaptando muito bem ao novo lar. São os jabutis-tinga. Chamados de “engenheiros de ecossistema”, eles têm papel importante na dispersão de sementes, contribuindo para a renovação da floresta.
Em julho deste ano, outros 32 animais da espécie serão liberados no parque. A iniciativa faz parte do Projeto Refauna, uma parceria entre UFRJ, IFRJ e UFRRJ com outras instituições. O trabalho é restabelecer as interações ecológicas perdidas com a extinção de animais em áreas antes desmatadas, por meio da reintrodução de espécies.
— Eles estão se adaptando muito bem ao novo ambiente. Há registros de jabutis colocando ovos e consumindo diversas espécies de plantas, além de eventos reprodutivos — conta o coordenador do projeto, Marcelo Rheingantz.
O objetivo é combater o fenômeno da floresta vazia, problema comum em áreas tropicais, ricas em vegetação, mas pobres em fauna, como consequência da ação predatória do homem.
Desde 2010, o projeto já reintroduziu quatros diferentes espécies em áreas de preservação e reflorestamento da Mata Atlântica: cutias, bugio-ruivos, antas e jabutis. Primeira a ser reinserida, a cutia já é considerada estabelecida, e toda a população encontrada hoje no Parque da Tijuca nasceu no local.
Após a liberação na mata, os animais são monitorados, por meio de chip e radiotransmissor únicos, para avaliar suas interações com o ambiente.
Os próximos passos do projeto Refauna são garantir o estabelecimento da população de cutias na Serra da Carioca e de bugios e jabutis na Floresta da Tijuca.
— Ao contrário de todas as demais iniciativas, o Refauna é a única iniciativa no país que busca a reintrodução simultânea de múltiplas espécies em um mesmo ambiente — diz Rheingantz.
Para o futuro, estão sendo pensadas as reintroduções de espécies como o trinca-ferro e a arara-canindé, mas ainda são necessárias autorizações dos órgãos licenciadores.
Iniciativas de reintrodução também são realizadas por outros projetos pelo país. A da ararinha-azul, por exemplo, é fruto de um acordo entre o ICMBio e a ONG alemã Association for the Conservation of Threatend Parrots (Associação para a Conservação de Papagaios Ameaçados). Os animais chegaram ao Brasil no início de março e passam agora por um período de adaptação, no Centro de Reprodução e Soltura, em Curaçá, na Bahia, para em breve serem liberados na natureza.
Fonte: Globo
Postado: Raul Motta Junior
Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo