Enquanto o Barcelona, um dos maiores clubes da Espanha e do mundo, ainda armarga a saída de Neymar, seu homônimo de Jacarepaguá tem mais motivos para sorrir. Afinal, 2017 já é o maior ano da história do time, em termos de resultados. Esta é a segunda vez que a equipe participa da série B1 do Campeonato Estadual, ao lado de nomes mais famosos, como Olaria e América, e, diferentemente da sua primeira passagem pelo campeonato, há dois anos, quando foi rebaixado, nesta edição o Barcelona de Curicica já se livrou da possibilidade de queda.
A permanência na segunda divisão do Carioca segue o projeto desenhado para o clube, diz o presidente Augusto Vieira, no cargo desde 2012. No primeiro turno do campeonato, inclusive, o time quase se classificou para a semifinal, ficando três pontos atrás do líder:
— Já é a melhor campanha da nossa história. Agora, queremos ter mais investimentos no ano que vem, para, quem sabe, conseguir acesso à primeira divisão.
Outro motivo de orgulho é o time feminino, que no ano passado foi vice-campeão estadual, perdendo para o Flamengo. Além disso, o Barcelona de Jacarepaguá é o único clube do Rio a contar com uma mulher treinando uma equipe masculina, no caso, no pré-mirm.
Ainda que as pequenas vitórias possam ser comemoradas como títulos, o time sofre com dificuldades financeiras e a falta de estrutura. A saída até aqui vem sendo apostar na base, já que o Barcelona é um dos únicos clubes da cidade a manter times em todas as categorias, do pré-mirim ao profissional. Uma das revelações da equipe foi o zagueiro Thiago Silva. Em relação a estádio, os obstáculos são maiores.
Até 2014, o clube mandava seus jogos no Estádio Estásio Marques, em Curicica, que ficou famoso ao servir de locação para gravações da novela “Avenida Brasil”. No entanto, em razão das obras da Transolímpica, o campo, que não lhe pertencia, foi demolido.
— Agora estamos jogando na Rua Bariri (do Olaria) ou no Marrentão, em Xerém. O que é ruim, porque estamos longe, e, assim, perdemos a identificação com Jacarepaguá. Estou botando as certidões do clube em dia para conseguir incentivo fiscal da prefeitura e, talvez, construir um estádio. Já tivemos conversas também com a Colônia Juliano Moreira, onde há dois campos, para fazer um projeto lá. A maior dificuldade é o alto custo da operação — diz Vieira, que também pretende fazer reformas na sede administrativa, situada na Estrada de Curicica. — Aqui a ideia é fazer projetos sociais. Do pré-mirim ao profissional, são 300 jovens que treinam conosco.
Em ação. Barcelona (de cinza) enfrentando o Serrano; clube faz boa campanha no campeonato estadual – Divulgação Barcelona
O Barcelona é um clube relativamente novo, fundado em dezembro de 1999. Antes, o time se chamava Internacional de Jacarepaguá. Na época, a ideia era rebatizar o time como Comercial Futebol Clube, aproveitando a proximidade com o polo industrial da região. Entretanto, o contato com um empresário de Rivaldo, então craque do Barcelona, acabou resultando na homenagem ao time espanhol. A expectativa era conseguir alguma forma de apoio do “primo rico”, o que nunca efetivamente ocorreu.
Em julho deste ano, uma ação do programa “Caldeirão do Huck” resultou na primeira aproximação entre os dois times. Um dos destaques do time de Jacarepaguá, Leandrinho foi convidado a viajar à Europa para conhecer Neymar, que na época ainda defendia o catalão. Ao final, o jovem atacante, que faz bicos como pedreiro, participou de um quadro do programa e ganhou um prêmio em dinheiro. Já o Barcelona carioca teve, pela primeira vez, atenção dos espanhóis.
— Recebemos kits com uniformes que vamos dar para os atletas da base — diz Vieira, que foi a Barcelona em julho.
Se um auxílio maior do poderoso clube espanhol é um sonho distante, um objetivo mais palpável é o apoio de indústrias da região. Atualmente, o clube é mantido graças aos dirigentes, muitos dos quais tiram dinheiro do próprio bolso. Não há um patrocínio máster. Os contratos normalmente são de curta duração, para torneios, e os jogadores ganham salário-mínimo.
— A grande ideia é ocupar o espaço esportivo de Jacarepaguá, o que não existe atualmente. Essa região é do tamanho de uma cidade; dá para encontrar muitos talentos. O polo industrial do bairro é grande, mas ainda não investiu no esporte. O interior de São Paulo, por exemplo, é um modelo. Várias empresas têm campos próprios — compara Vieira.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: FABIO CORDEIRO / Agência O Globo