Novo circo é inaugurado em Curicica, com cursos livres para crianças e adultos

Durante suas viagens entre a Avenida Abelardo Bueno, onde mora, e São Cristóvão, local do antigo trabalho, o acrobata Gabriel Jacques maturou a ideia de criar sua própria lona de circo, em Jacarepaguá. O resultado do seu sonho se materializou no início de julho passado, quando foi inaugurado o espaço do Circo das Artes. Oferecendo aulas para crianças e adultos, com foco em acrobacia aérea, de solo e malabares, o sobrado na Estrada de Curicica ocupa um nicho pouco explorado na região.

— Jacarepaguá não tem essa cultura de circo. Quero formar um público. Teve gente me chamando de louco por abrir um espaço de cultura nesse momento, enquanto vários estão fechando. Principalmente circo, que está cada vez mais fraco no país. Mas a região precisa de mais ofertas assim — afirma Jacques.

O artista de 40 anos se formou na Escola Nacional de Circo, e, em 2002, montou a companhia Circo das Artes, para trabalhar em eventos. Após cinco anos, o projeto foi deixado de lado e Jacques entrou para a companhia Aplion, na qual ficou nove anos e se apresentou principalmente no exterior. Há dois anos, porém, quando encenou o espetáculo “Zumbiland”, ele reativou o Circo das Artes. Agora, seu foco são as aulas.

— Por enquanto, temos cinco turmas, mas quero aumentar esse número. De segunda a sexta, temos aulas de acrobacia aérea e de solo, além da aula infantil e do circo família, que montei para pais e filhos frequentarem juntos. Há demanda para criar uma nova turma sábado também — diz Jacques, que tem ainda a missão de desmistificar a visão de que circo se resume a palhaço. — Muita gente pensa isso. Explico que conseguimos absorver gente que odeia academia mas quer fazer exercício físico, porque trabalhamos muito a musculatura.

Para todos os perfis. Além do talento circense e acrobata, aulas do circo servem como exercício físico e ajudam a musculatura – FABIO CORDEIRO / Agência O Globo
Jacques conta que passou cerca de dois anos “namorando o sobrado” onde hoje dá as aulas. Este foi o início da materialização do seu sonho. O próximo passo é desenvolver um projeto social. Ainda faltam parcerias que viabilizem a ideia, mas já está tudo planejado: seriam aulas para 12 crianças das comunidades Vila Apê e Asa Branca, ambas vizinhas ao circo.

— Circo é uma ferramenta forte de transformação social. Já trabalhei em muitos projetos sociais; sempre dei importância para isso — diz.

Por enquanto, Jacques conta com amigos que fez durante a carreira circense, como Aline Figueiredo, que o auxilia nas aulas. Também acrobata, ela começou no projeto Crescer e Viver, formou-se na Escola Nacional de Circo e viajou o mundo fazendo trapézio.

— A oferta em Jacarepaguá é muito ruim. Eu praticamente só dou aula em academia. Mas essa iniciativa tem tudo para dar certo, a gente precisava de algo voltado para a arte aqui — diz ela.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior