CasaShopping aposta na variedade

Flávia Marcolini assumiu o comando do CasaShopping após a morte do pai, Luiz Paulo Marcolini, há um ano. Gosta de lembrar que foi ele quem decidiu se aventurar, em 1984, numa área onde ainda predominavam estradinhas de terra, e criar o empreendimento que hoje é o maior centro comercial de decoração da América Latina. Com a expansão mais recente, em 2013, o CasaShopping chegou a 62 mil metros quadrados. Envolvida nos negócios da família desde que chegou à maioridade, Flávia, de 42 anos, é formada em Administração e tem MBAs em Finanças e em Varejo. Agora, a nova diretora-presidente do CasaShopping se empenha em diversificar os serviços do centro comercial, que tem 160 lojas e 208 salas comerciais e espaços corporativos.

O quão desafiador é assumir o CasaShopping, para alguém que conhece tão bem o empreendimento?

Tenho muito orgulho de estar aqui, uma coisa para a qual meu pai me treinou a vida toda. Tem sido desafiador, mas estou em casa. Muitas coisas que eu já falava, como membro da equipe, agora posso botar em prática.

Por onde você começou?

Meu pai sempre viajou muito, passava longos períodos ausente, mas jamais deixou de trabalhar. Mantinha comunicação com a empresa por fax ou e-mail, porque, enquanto viajava, ia observando outras experiências, tinha a cabeça sempre trabalhando. Hoje o que mais me mobiliza é ter uma equipe coesa e engajada.

No projeto atual, de diversificação, o que já há de concreto?

Estamos com foco em bem-estar, saúde e alimentação orgânica (o shopping já ganhou um box de crossfit e poderá ter uma academia de ginástica e uma área para cães). Já criamos, por exemplo, um espaço de welness para os funcionários. Fazemos trabalhos de equilíbrio de energia, com shiatsu, relaxamento, essas coisas, para a pessoa produzir melhor. Estou apostando nisso, porque fez diferença na minha vida, e quero dar o mesmo a eles.

Na última expansão do shopping, o número de restaurantes dobrou de seis para 12. Há planos para expandir novamente a área de gastronomia?

Em outubro, teremos aqui o Organomix, um supermercado orgânico com 1.200 metros quadrados que terá espaços tanto para compra de produtos quanto para consumação lá mesmo, com padaria, peixaria e opções de gastronomia. Vai ser nossa âncora na área de convivência. As pessoas vão poder fazer compras e se sentar para comer.

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A Babilônia Feira Hype voltou ao CasaShopping em junho. Há outros eventos sendo planejados?

Quisemos ter a Feira Hype não só para trazer gente para nos visitar e olhar as vitrines, mas porque, no fundo, acho que estilo é uma coisa só. Design, decoração, moda… A Babilônia é um celeiro de empresas, não só da área de moda, mas também de decoração, dois assuntos interligados. Além dela, este mês tivemos um evento de cozinha em parceria com os restaurantes, o Sex and The Kitchen. Em julho, haverá o programa Lado a Lado, em que o arquiteto acompanha o cliente final para ajudá-lo a realizar compras nas lojas. O consumidor se cadastra no site e recebe auxílio de um arquiteto renomado por duas horas, durante a nossa liquidação (que vai até 30 de julho).

As galerias de arte acompanharão o calendário de eventos?

Eu quero fazer exposições valorizando novos artistas. Pretendo fazer algo em conjunto com as galerias de arte que temos aqui, a Almacén e a Don Quixote; procurar uma curadoria de artistas e fazer um grande evento, com vários convidados, pinturas, gravuras.

Investir em quem está começando vem ao encontro desse momento de reformulação?

Temos sempre que buscar o novo. Eu gosto de participar, estar junto com os lojistas, vendo-os crescer. Acho que o shopping tem que ter esse tino de olhar um comerciante, mesmo que principiante, e dar a ele oportunidade de se desenvolver. Algumas lojas aqui ocupam dois mil metros, mas começaram com 100 metros quadrados. O shopping tem que ter essa sensibilidade de perceber as empresas que estão em ascensão.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Victor Hugo