Confrontos entre policiais e traficantes costumam botar o Pavão-Pavãozinho nas manchetes dos jornais, mas para entender a geografia desse morro, um dos muitos habitados na Zona Sul carioca, é necessário voltar à década de 1930, quando as primeiras famílias começaram a ocupar a encosta. Eram pessoas atraídas pelo mercado de trabalho em seus bairros vizinhos, Ipanema e Copacabana. Com a ajuda de moradores e líderes comunitários, o Sistema de Assentamentos de Baixa Renda (Sabren), do Instituto Pereira Passos, da prefeitura, conseguiu reconstruir parte dessa memória, que não foi marcada apenas por tiros, mas por deslizamentos de terra, que também custaram muitas vidas.
O Pavão-Pavãozinho, que faz divisa com a comunidade do Cantagalo e com os fundos das casas da Rua Saint Roman e dos edifícios da Rua Djalma Ulrich e da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, é separado em quatro setores: Vietnã ou Caranguejo, Serafim, Pavão — o mais antigo da comunidade — e Pavãozinho — o de maior densidade populacional e o mais próximo do Cantagalo.
Segundo o levantamento do Sabren, os primeiros barracos eram precários, feitos de tábuas, latas e cobertos com folhas de zinco. Eles começaram a ser construídos no terreno da antiga quadra do Unidos do Pavãozinho. O “lugarejo” era passagem obrigatória para, através da “Matinha”, chegar à Rua Saint Roman. Os caminhos percorridos pelos moradores eram escavados no barranco e, nos dias de chuva, formava um lamaçal que dificultava a passagem.
Assim como o Cantagalo, o Pavão-Pavãozinho foi excluído da política de remoções na Zona Sul, aplicada pelo governo de Carlos Lacerda, e que não poupou as áreas da Praia do Pinto, da Catacumba e do Pasmado.
Na década de 1960, a comunidade acompanhou sua primeira tragédia, com cobertura da imprensa: um grande pedra se soltou do alto do morro e rolou arrastando várias casas, matando moradores. A favela chegou a receber melhorias urbanas na década de 1970, com fornecimento de água e luz. Mas, em 1983, um novo acidente chocou os moradores. A queda de uma antiga caixa d’água provocou desabamentos e mais mortes.
Nas últimas décadas, no entanto, a violência é o que mais tem castigado o Pavão-Pavãozinho. Segundo o Censo 2010 do IBGE, a favela tem 5.567 moradores, em 1.840 domicílios. Fica em seu território a 5ª Unidade de Polícia Pacificadora do estado, inaugurada em 23 de dezembro de 2009. A UPP também atua no Cantagalo, onde vivem 4.771, de acordo com o IBGE.
Beneficiados por um período de trégua na guerra do tráfico, graças à UPP, o Pavão-Pavãozinho e o Cantagalo ganharam, em 2010, dois elevadores panorâmicos que ainda hoje transportam os passageiros até um ponto emblemático da comunidade: o Mirante da Paz.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Mônica Imbuzeiro / Mônica Imbuzeiro/17-04-2002