Foi nos anos 1990, aos 20 e poucos anos, que Márcio Gomes decidiu o que queria fazer da vida. Ele sempre gostou de cantar, mas não encarava a atividade como uma profissão. Isso até assistir a um show da cantora Ângela Maria no Teatro João Caetano, no Centro da cidade.
— Aquela apresentação mexeu muito comigo. Canto desde criança, mas ainda não tinha me encontrado na música. Ao ver a Ângela, tive a certeza de que aquela era a minha praia — conta o músico, que se formou em Direito antes de decidir mergulhar de cabeça no mundo da música.
Hoje, aos 41 anos, Márcio Gomes tem uma carreira consolidada, incluindo parcerias com a própria Ângela Maria e outros cantores consagrados, como Cauby Peixoto e Bibi Ferreira.
— Tive um início profissional completamente perdido, mas, aos poucos, artistas e compositores foram me descobrindo. Um passo importante foi participar de um espetáculo sobre cantoras do rádio, dirigido por Ricardo Cravo Albin — destaca.
Com um repertório que reúne clássicos de boleros, tangos, canções italianas e portuguesas, Gomes conquistou um fã clube absolutamente fiel que o acompanha para todos os lados. No público, um perfil é dominante: as senhoras da terceira idade.
— Apesar de eu também ter fãs mais jovens, a terceira idade realmente compõe a maior parte das fãs. Alguns já me chamam de “O rei das vans”, em referência às senhoras que fretam transporte para ir em grupo aos shows — revela Gomes.
Por ter nascido e morado a vida toda no Flamengo, Gomes acabou fazendo da região o seu reduto profissional. Mas, há dois anos, ele resolveu sair da zona de conforto e encarar um desafio novo: uma temporada com o espetáculo “Eternas canções” no Imperator, no Méier — uma área onde ainda não tinha se apresentado —, num horário nada convencional: às 16h.
— Tive um medo inicial muito grande de não conseguir levar público. Além de ser um teatro de 700 lugares, num lugar em que não sabia se meu nome teria apelo, o horário era incomum — lembra o artista.
O resultado foi o melhor possível. “Eternas canções” continua em cartaz na casa, com apresentações mensais e, esporadicamente quinzenais, sempre com casa cheia. No mês passado, Gomes recebeu uma placa da Secretaria municipal de Cultura em homenagem ao aniversário de dois anos do show.
Para comemorar a marca, ele preparou uma apresentação especial para o dia 23, em outro palco que foi parte importante da sua carreira: o Teatro Net Rio, em Copacabana. O show contará com a participação da cantora Simone Mazzer.
— Creio ser o artista que mais fez show no Teatro Net Rio até hoje. Desde a inauguração, são sempre quatro ou cinco apresentações por ano. É um palco fundamental para a minha história — afirma o cantor.
PUBLICIDADE
Além do repertório com clássicos dos anos 1950 e 1960, o ponto alto do show é um improviso em comum acordo com a plateia. O público escolhe três cantoras e três cantores da Era do Rádio e o artista canta seus sucessos.
Gomes diz ter uma relação de muito carinho com os fãs. Ele recebe dezenas de cartas, por exemplo, inclusive de senhoras que dizem ter superado problemas como depressão depois de acompanhar as suas apresentações. Além disso, ele ganha muitos presentes, dos mais variados, desde chocolates até uma réplica sua em miniatura.
— Existe um curso superior para a terceira idade cuja turma comparece em peso no meu show. A administração acabou estabelecendo que nos dias em que eu canto, não haverá mais aula, para que os estudantes não levem falta — conta.
Fonte: O Globo
Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior