Para festejar os 450 anos, a carnavalesca Rosa Magalhães sugere passeio pelo Centro Histórico

Um passeio pelos vestígios do Rio antigo. É dessa forma que a carnavalesca Rosa Magalhães, de 68 anos, sugere comemorar os quatro séculos e meio da cidade, festejados no dia 1º de março. O percurso poderia começar pela Ladeira da Misericórdia, que, como destaca, é o último resquício do Morro do Castelo, onde a cidade se desenvolveu no século XVI.

– Parte da nossa história começa ali. A ladeira é de 1567, dois anos depois da fundação da cidade, e é de calçamento pé de moleque. Não tem nada melhor, neste momento de festa, que comemorar o aniversário do Rio conhecendo ainda mais a sua, e a nossa, origem.

Em seguida, Rosa sugere uma visita ao Museu Histórico Nacional, que, após a derrubada da Perimetral, voltou a ter vista livre para a Baía de Guanabara. O acervo do espaço é vasto – tem documentos, imagens, moedas, selos, armas, esculturas e móveis que contam um pouco a história do Brasil.

A Ladeira da Misericórdia, único trecho que restou do Morro do Castelo, faz parte do roteiro de Rosa – Custódio Coimbra / Agência O Globo

Já que o roteiro começa próximo à Praça Quinze, Rosa, carioca, moradora de Copacabana e apaixonada pelo Rio, sugere uma passagem ainda pelo Paço Imperial, edifício da época do Brasil Colônia.

– É o primeiro prédio do Rio a ter vidro na janela. As janelas eram de treliça, uma influência árabe, que ajudava a esconder as pessoas. Mas dom João VI queria que todos vissem o interior do prédio – conta a carnavalesca, que é formada em pintura pela Escola de Belas Artes do Rio e em cenografia pela Escola de Teatro da UNI-Rio.

O Arco do Teles também é classificado por Rosa como um dos lugares mais interessantes do Centro Histórico, assim como o restaurante Albamar, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

– Depois de uma manhã conhecendo a história da cidade, nada como apreciar um bom almoço (no Albamar), com uma linda vista que inclui a Ilha Fiscal e a Ponte Rio-Niterói. Ali ficava uma das torres do antigo mercado da Praça Quinze. Um charme – diz.

UMA ARQUITETURA DIFERENTE

Ainda na região central da cidade, Rosa lembra o Museu de Arte do Rio (MAR), com sua arquitetura “que liga o Rio de ontem ao de hoje”.

– O museu é formado por dois prédios, de estilos arquitetônicos diferentes, que se ligam. O melhor é que, no interior da instituição, não percebemos que mudamos de um edifício para o outro. É incrível – ressalta.

A carnavalesca lembra ainda que, ali perto, fica o Centro Cultural da Ação da Cidadania, um galpão centenário na Zona Portuária, projetado pelo primeiro engenheiro negro brasileiro, André Rebouças.

– Ali ficavam as antigas docas. A história do Rebouças é muito interessante. Ele almoçava e jantava com dom Pedro e só “descobriu” que era negro quando foi estudar em Nova York. Lá, quando entrou num hotel, mandaram que fosse pelos fundos. E ele tinha escravos. Quando voltou para o Brasil, Rebouças libertou todos os seus escravos por causa disso – conta.

Também na região central, Rosa destaca a importância do Morro do Livramento, onde nasceu o escritor Machado de Assis.

– Não sei nem se tem alguma placa informando isso. Acho incrível ele ter nascido ali, o que mostra o valor histórico dessa região para o Rio – diz Rosa, acrescentando no seu roteiro a Igreja do Mosteiro de São Bento. O santuário, fundado em 1590, abre diariamente, das 7h às 18h. As missas com canto gregoriano são o grande destaque da igreja.

Embora considere os 450 anos muito importantes, Rosa Magalhães alerta: ainda falta muito para o Rio ostentar o título de “Cidade Maravilhosíssima”.

– Há que se ter, ainda, muitos prefeitos com fôlego para fazer isso acontecer. Um bom exemplo é o trânsito, que continua um caos – acentua.

Nascida em Botafogo, Rosa cresceu em Copacabana e garante que não deixaria, por nada, a cidade.

– A praia é o meu lindo quintal – brinca. – Copacabana é um bairro completo e muito confortável para se morar, sem falar que é um cartão-postal da cidade.

Além de Copacabana, que ela elege a praia mais bonita do Rio, devido à sua curva, Rosa gosta das praias de Ipanema e Vermelha (que escolheu como cenário para ser fotografada).

Ela aproveita para falar da sua estreia na São Clemente – após passar pela Mangueira e se consagrar na Imperatriz. Rosa está otimista com o carnaval 2015, em especial com o enredo, uma homenagem ao carnavalesco Fernando Pamplona.

-Ele foi um renovador nos anos 60 e 70. Implantou todas as mudanças do carnaval contemporâneo.

Passado o carnaval, a festa ficará por conta do aniversário da cidade. Rosa diz que, se pudesse, daria de presente ao Rio um projeto de arborização, principalmente na Zona Norte.

– Assim, o Rio teria, em momentos de forte calor como vivemos, mais sombra. Hoje temos uma cidade de concreto, quase sem verde, o que eu acho lamentável.

ETIQUETA CARIOCA: Já pra rua!

Sarita Brant, centenária, vive dizendo: ” É melhor sair à toa do que ficar à toa”. Cristiana Beltrão, balzaquiana, escreveu esta semana no Face: “Ouvi dizer que hoje vai ter chuva de granizo no Rio. Aviso que estou indo de copo plástico e garrafa de gim pra rua”. Sarita e Cristiana não se conhecem, mas têm em comum a disposição carioca de sair à rua. A vocação (Debret pintou de vendedoras de caju a foliões) de nos reunirmos ao ar livre vai do aplauso ao pôr do sol ao movimento do food truck. (Ana Cristina Reis)

Fonte: O Globo
Foto: Agência O Globo / Adriana Lorete
Postado por: Raul Motta Junior