Evento de gastronomia e cultura ‘ocupa’ Campo de Santana

Idealizado para ser um “jardim romântico”, o Campo de Santana, no coração do Centro do Rio de Janeiro, chegou aos 135 anos com o rótulo de lugar degradado e perigoso. Para reverter esse cenário o parque foi retombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional (Iphan), em junho passado e desde então passa por um processo de recuperação para que volte à sua vocação original e como parte desse processo o parque também passou a integrar o calendário de eventos abertos na cidade, como o Movimento Rio ao Livre, que acontece nesta sexta-feira e no sábado.

Serão dez opções de food trucks, ponto de venda de livros e vinis, apresentações de música, oficinas de artesanato e recreação para crianças. Mas, quem quiser somente aproveitar um tempinho para contemplar o Campo de Santana, que passa por um processo de recuperação, o evento espalhará esteiras de palha pelos gramados. É só chegar e se acomodar.

O evento foi idealizado pelo publicitário Rodrigo Moitrel, que quando descobriu que seria pai não queria ser um daqueles que só vê os shoppings centers como opções para passear com as crianças durante o calor do verão carioca. Ele criou um projeto de “ocupação” de parques da cidade e então nasceu o Movimento Rio ao Ar Livre.

– Há dois anos tive o João Pedro e vi que no verão único lugar para levá-lo era o shopping, mas eu sentia falta de locais agregadores. Eu queria empreender e ter espaços agregadores e para ele. Achamos bonito ir a Nova York e outros países e sentar nos parques e aqui não fazemos isso – afirmou o diretor do projeto.

Movimento Rio ao Ar Livre também aconteceu em dezembro no Campo de Santana – Divulgação
No início do ano passado, Moitrel levou o projeto à Prefeitura do Rio que escolheu o Campo de Santana para ser “ocupado”.

– Apesar de lindo e mais propício para ocupar, era o mais difícil. As pessoas ignoravam. Levou quase um ano de aprovações, mas quando realizamos o primeiro evento, em dezembro, foi acima das expectativas – afirmou o idealizador, que quer levar o festival todos os meses ao Campo de Santana

Para quem trabalha no entorno do parque também aproveite, o festival sempre começa antes do fim de semana.

-O entorno ali é ótimo, tem a Petrobrás, escritórios, comércio. Quero que as pessoas almocem no parque, sentem dez, 20 minutos ao ar livre antes de voltarem ao trabalho. Isso gera consequências, melhora a segurança, valoriza a área, faz uma reação em cadeia – afirmou Moitrel.

Recuperação

Cerca de cem mil pessoas usam as alamedas do campo como passagem ao longo do mês e o objetivo da Fundação Parques e Jardins é que esse e demais públicos permaneçam e usem o parque como área de lazer e contemplação.

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– Começamos a revitalizar o campo em março, antes do retombamento, com plantio de espécies e consertos. Mensalmente, já temos três eventos culturais ou gastronômicos no campo- explicou Wellington Ribeiro da Silva, presidente do órgão, que também está em busca de parceiros para viabilizar a ocupação do campo com mais eventos.

– Temos no entorno o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o Arquivo Nacional, o Saara. Estou conversando com o Comando Militar do Leste, a Cruz Vermelha já faz atividades aqui. Temos 155 mil metros quadrados de área verde – disse o presidente da fundação.

Desde março a fundação replantou 238 árvores que o parque perdeu ao longo dos anos, entre elas palmeiras imperiais, símbolo da época em que o campo foi projetado por Augusta François Marie Glaziou, conhecido como “paisagista do Império”. Ele se inspirou em parques parisienses românticos para criar os traçados do campo, inaugurado por dom Pedro II em 7 de setembro de 1880.

A mudança já é visível. Canteiros foram refeitos e alguns estão floridos. As alamedas são constantemente varridas e há policiamento da Guarda Municipal com reforço da Polícia Militar montada na hora do fechamento do parque, para assegurar que nenhum morador de rua durma em seus bancos ou gramados. Também para ajudar na segurança, 24 câmeras ligadas ao Centro de Operações foram instaladas. Os conhecidos animais do parque, como os pavões, os gatos e as simpáticas cotias continuam a povoar o local.

A gruta Glaziou, que ficou aproximadamente sete anos interditada por não ser um local seguro, foi reaberta em abril e cerca de 500 pessoas fazem uma visita a ela nos fins de semana. É o lugar preferido das crianças, como a pequena Maria Eduarda de Souza Neres, de 5 anos.

– Gosto muito da ‘caverna’, é muito legal. Dá para correr, ir para cima, para baixo. Também adoro o pavão e os gatinhos – disse a filha do barman Alex Neres de Souza, que mora na praça da Cruz Vermelha e sempre que pode leva a filha para um passeio.

-Venho aqui há uns três anos, mas agora está mais organizado e as plantas estão mais verdinhas. Acho bonito – disse.

Serviço

Movimento Rio ao Ar Livre

Campo de Santana – Praça da República s/n. – Centro – Rio

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Entrada Franca

Das 11h as 18h (fechamento portões do parque)

O campo abre de segunda a segunda, das 7h às 17h.

Fonte: O Globo
Foto: Luiz Ackermann / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior