Passagem aumenta e problemas continuam: baratas, superlotação e calor nos ônibus

Um mês após o aumento da passagem de ônibus e da intervenção da prefeitura no sistema de BRTs, os passageiros continuam sofrendo com a qualidade do transporte. Imagens de ônibus articulados do BRT lotados, com portas abertas, já viraram rotina. Nos ônibus convencionais, frota reduzida e falta de manutenção são as principais queixas na região.

No Terminal Alvorada, semana passada, a diarista Eva Souza, que trabalha no Tanque, aguardava a linha 882.

— A gente fica meia hora, 40 minutos esperando o ônibus. Preciso sair bem mais cedo de casa, porque não sei quando ele vai passar — reclamou Eva.

A sujeira é o pior para a estudante Ana Caroline Amaral, usuária das linhas 348 e 368. Ela conta que muitas vezes prefere ir em pé nos ônibus, mesmo quando há lugares disponíveis. Isso para evitar sustos como o que tomou quando acordou com uma barata sobre seu ombro:

— Às vezes pego ônibus no Centro e vou até o Riocentro em pé, por causa das baratas.

Quem está no ponto torce ainda para pegar um ônibus com refrigeração. Contudo, o ambiente pode ser ainda mais quente apesar do ar-condicionado, caso o aparelho esteja inoperante — o que é comum — , pois, como as janelas são parafusadas, não se pode abri-las.

— A gente reza para entrar e estar fresquinho — conta o garçom Edvaldo Pereira, usuário da linha 309.

Segundo a Secretaria municipal de Transportes, os consórcios responsáveis pelas linhas 309, 348 e 368 foram autuados 11 vezes no último ano por má conservação. E a empresa responsável pela linha 827 foi multada 27 vezes por inoperância ou frota inferior à determinada. Já o BRT informou que, devido ao fim das empresas Santa Maria e Litoral, a linha 827, alimentadora do sistema, está sendo operada de forma contingencial, e a opção é a 565, que faz o mesmo trajeto com intervalos de quatro ou cinco minutos. Os consórcios Transcarioca e Intersul prometeram revisar suas frotas.

Apesar de intervenção, passageiros reclamam do BRT
No sistema BRT, além de lutar por um lugar nos ônibus, usuários se deparam com desordem nas estações. O servente Thomas Oliveira sofreu na pele as consequências da superlotação:

— Já saí machucado, mas o BRT é minha única opção.

Cirlene Silva, moradora de Nova Iguaçu que trabalha no Recreio, relata problemas na linha 21 (Jardim Oceânico-Recreio Shopping):

— Além de ficar muito cheia, o tempo de espera é absurdo. E já peguei o ônibus com a porta aberta e gente quase caindo na rua.

No corredor Transoeste, nas estações Recreio Shopping, Gláucio Gill e Salvador Allende, a equipe do GLOBO-Barra flagrou ambulantes agindo livremente, bem como problemas nas portas retráteis, que ficam abertas, elevando o risco de acidente.

— Todos precisam trabalhar, mas não dá para o ambulante deixar tudo sujo. Depois, chove e alaga tudo — queixa-se Vicente Ferreira.

O Consórcio BRT afirma que é dever do poder público fiscalizar os ambulantes, assim como coibir delitos. Acrescenta gastar R$ 1,4 milhão por mês em consequência do vandalismo. Procurada, a intervenção do BRT afirmou que implantou uma força-tarefa composta pro 35 agentes de diversas secretarias para realizarem fiscalizações, no primeiro momento, ao longo das estações Transoeste. Ainda segundo a intervenção, quatro pessoas foram presas, 39 multadas por calote e foram recolhidos mais de 500 kilos de alimentos das estações

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior