Nem mesmo as emendas parlamentares do então senador Marcelo Crivella conseguem trazer um alívio para o caos na rede municipal de saúde. Em março, o prefeito anunciou que usaria os R$ 50 milhões liberados pelo governo federal, dinheiro que ele mesmo havia destinado aos hospitais do Rio quando estava no Senado, para comprar equipamentos modernos, como carrinhos de anestesia e tomógrafos. Em maio, 30 carrinhos de anestesia foram entregues a unidades de saúde. Sete meses depois, a prefeitura diz que a compra dos dez tomógrafos ainda está em tramitação.
Enquanto isso, quem procura hospitais da rede fica sem o exame de imagem. O Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra, que fica perto da Avenida das Américas, uma das que mais registram acidente de trânsito, está sem tomógrafo há dez meses. A Subsecretaria de Atenção Hospitalar de Urgência e Emergência do Rio informou que conta com tomógrafos em funcionamento em sete hospitais: Evandro Freire, Salgado Filho, Jesus, Albert Schweitzer, Pedro II, Souza Aguiar e Miguel Couto. Uma consulta ontem ao sistema da Secretaria de Saúde, porém, mostrou que em três dessas unidades — Miguel Couto, Souza Aguiar e Evandro Freire — o uso do tomógrafo ocorre com restrições.
Em maio, uma notícia no site da prefeitura se referia à entrega de 30 carrinhos de anestesia e à compra dos nove tomógrafos, que chegariam aos hospitais no segundo semestre. Outra reportagem oficial anunciou, em agosto, que um tomógrafo entraria em funcionamento no Albert Schweitzer, em Realengo, no mês seguinte. O equipamento já está funcionando, mas foi comprado com verba de uma emenda parlamentar do deputado federal Rodrigo Maia, que que destinou R$ 1,625 milhão aos hospitais Albert Schweitzer e Lourenço Jorge. Crivella disse, de acordo com o texto publicado no site da prefeitura, que os dez tomógrafos “mais do que dobrarão a capacidade de realização de exames”. Segundo ele, “nos últimos 20 anos, nunca se investiu tanto em saúde quanto em sua gestão”. Procurada, a Secretaria municipal de Saúde reafirmou apenas que “está adquirindo dez novos tomógrafos com recursos da emenda do então senador Crivella”.
Outros casos de atraso
A prefeitura já teve problemas este ano com outras emendas parlamentares. Um levantamento do GLOBO mostrou que parte do dinheiro que a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) deveria receber foi remanejado pela prefeitura a duas clínicas privadas do Rio conveniadas ao SUS. A operação envolveu R$ 900 mil aprovados pelo deputado federal Miro Teixeira (Rede) para aplicar na unidade de atendimento ortopédico. O município deveria ter repassado para a ABBR um total de R$ 3,25 milhões de quatro emendas parlamentares. Além da de Miro, à época, havia outras três dos deputados Jair Bolsonaro (PSL), Luiz Carlos Ramos (PR) e Otávio Leite (PSDB), que tinham como destino a entidade, embora também não tenham sido desembolsadas. Só após uma manifestação de funcionários da associação em setembro, o governo municipal começou a liberar os recursos para a entidade em parcelas.
Sobre o Lourenço Jorge, a Subsecretaria municipal de Gestão informou que foi aberto um processo para a execução do serviço de manutenção do tomógrafo, mas não divulgou a data de sua conclusão.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior