Violinista Hugo Antunes se apresenta semanalmente em unidades de saúde

Os semblantes tensos começam a relaxar quando o silêncio nos corredores é quebrado por uma música suave. Concentrado, o violinista Hugo Antunes, de 27 anos, toca o instrumento com precisão cirúrgica. O repertório das sessões semanais nos hospitais Rios D’Or, em Jacarepaguá, e Barra D’Or é constituído de clássicos nacionais e internacionais.

As apresentações nas tardes de quarta-feira são dinâmicas, com o instrumentista caminhando por pontos-chaves, como a recepção, as salas de espera e de visitas e os centros de tratamento intensivo e pós-operatório. O centro cirúrgico ainda não foi contemplado por falta de convite, brinca Antunes. Composições como “Carinhoso” e “Eu sei que vou te amar” são escolhidas a dedo.

— Esse projeto é voltado para os familiares e os pacientes, com o objetivo de suavizar o ambiente hospitalar. Escolho músicas conhecidas para as pessoas se lembrarem de algum momento feliz. Elas conversam comigo, contam suas histórias e pedem algumas canções — diz Antunes.

O violinista começou a tocar no hospital da Barra há três anos, convidado pela direção. O trabalho na unidade de Jacarepaguá teve início este ano, tempo suficiente para encantar pacientes por lá também.

— No Rios D’Or, uma paciente internada há meses gosta do tango “Por una cabeza”, do filme “Perfume de mulher”. Como eu sei, toco essa música todas as vezes que passo na frente da porta do quarto dela — conta o instrumentista. — Em épocas festivas, também há algumas que costumo apresentar, como “Noite feliz”, no Natal, e “Cidade Maravilhosa”, no carnaval.

A diretora operacional do Barra D’Or, Taissa Rezende, afirma buscar no projeto uma forma de humanizar os atendimentos, especialmente para pacientes em terapia intensiva. A iniciativa, pelo que observa, tem agradado a todos, inclusive aos funcionários da unidade.

— O projeto tem grande aceitação aqui. Buscamos dar essa leveza ao momento de visita. Para os funcionários também é um momento de relaxamento. A música faz um acolhimento, junto com a enfermagem e a psicologia — frisa a diretora.

As apresentações têm o efeito de acalmar inclusive o próprio instrumentista:

— Sou ansioso. Isso é uma terapia para mim. Não penso em nada, só me concentro no que estou fazendo. No início, ficava tenso. Mas vi que, se queria levar o melhor às pessoas, tinha de estar bem.

Antunes está habituado a tocar em ambientes diferentes desde os 7 anos, quando entrou para o Conservatório Brasileiro de Música e passou a se apresentar ao piano na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca. Cinco anos depois, passou a atuar em casamentos e, aos 14, interessou-se pelo violino.

Hoje, formado em Administração de Empresas, mantém sua própria empresa de eventos, a Hugo Antunes Produções Artísticas. Foi ele quem regeu a orquestra no casamento do cantor Belo com a modelo Gracyanne Barbosa.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior