Todas as vezes em que Victor Lamoglia entrou em uma loja de brinquedos, encontrou objetos a preços exorbitantes, coisa não muito difícil de conseguir. Considerar o valor da peça absurdo todo mundo faz — ele mesmo achava que uma pintura bastava para deixar figuras de ação bonitas, por exemplo —, mas o ator achou que se incomodar não era o bastante. Há dois anos, começou a comprar bonecos baratos para transformá-los, mexendo no visual dos itens com os dotes de um restaurador. Sem saber, virou um toymaker (ou fazedor de brinquedos), como se descreve. A atividade deu tão certo que agora ela faz parte do canal que movimenta no YouTube, rendendo avaliações positivas na plataforma de vídeos e em outras redes sociais.
Embora não tenha começado a embelezar brinquedos agora, Lamoglia não estava se sentindo tão confiante em 2016. Naquele ano, postou um primeiro vídeo, quando modificou o visual do Homem de Ferro; a segunda publicação só veio no ano seguinte, ao mexer em um exemplar do Homem-Aranha. A partir daí, fez uma pausa para aprimorar suas habilidades: começou a estudar modelismo e investiu em miniaturas, retomando seu hobby mais fortemente nos últimos meses. No canal, ele até variou suas atuações, trabalhando com armas, e está com planos de repaginar carros.
— Nunca fiz curso, apenas fico de olho em coisas na rua. Continuo a visitar lojas de brinquedos e maquetes, que me dão dicas de como ser mais criativo na minha prática — conta o ator, que gosta de sujar os personagens para dar-lhes uma impressão de vivência. — Escolho minhas figuras com base em seu potencial, no que elas podem se transformar após os reparos. Às vezes, ganham uma base ou um cenário.
Atento à questão financeira, quando Lamoglia vê colecionáveis feitos por outras pessoas, observa também as características que fazem de determinado objeto um produto caro. Ele deduz que os altos preços se devem ao material empregado nas peças e à mão de obra, que pode variar de artista para artista. De qualquer maneira, ele procura fugir de tudo isso. O youtuber repõe seu estoque de materiais gastando no máximo R$ 200, valor que cai pela metade no limite que estipulou para a compra dos bonecos — o processo fica ainda mais barato quando recebe presentes para transformar. Ele adapta sua atividade para que chegue aos seguidores da maneira mais acessível, evitando repetir o padrão dos estabelecimentos que considerava abusivos.
Se o hobby de Lamoglia é prazeroso e bom para o bolso, também tem pontos negativos. Dividido entre a conta própria no YouTube, os vídeos do canal de humor Parafernalha e as demais gravações das quais participa — semana passada, por exemplo, estava longe de Laranjeiras, onde mora, filmando em São Paulo o reality show “Que marravilha! Aula de cozinha” —, ele tem pouco tempo de sobra para mexer nos brinquedos.
Seu outro problema é o apego pelos itens que remodela. Nunca vendeu nada que fez, embora tenha dado peças de presente; às vezes, tem ideias que vão resultar em regalos para si mesmo. Ao contrário do tempo, essa parte ele tem como contornar: Lamoglia pretende começar a sortear brinquedos em seu canal. Em termos de novidades, também deve convidar pessoas próximas para o programa, que vão propor desafios com itens a serem transformados.
— Se a proposta der certo, no futuro vou convidar seguidores para participar. Se os internautas ficam satisfeitos com o que estou fazendo, me deixa muito feliz ver que alguns deles estão se inspirando nos meus vídeos para fazer os próprios colecionáveis — diz.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior