Com o título “Menos pele, mais Deus e nenhum racismo: como a esquerda e a direita do Brasil querem mudar carnaval”, o jornal americano ‘Washington Post’ publicou em seu site uma reportagem sobre as polêmicas da folia deste ano. O artigo repercutiu no exterior, levantando o debate sobre as mudanças de uma das festas mais populares do mundo, como o banimento de marchinhas nos repertórios de blocos de rua e as mudanças na roupa da Globeleza.
“O retrocesso é um sinal da crescente influência dos movimentos sociais progressistas do Brasil, que ganharam força e visibilidade no ano passado. Mas, ao mesmo tempo, o poder político no Brasil mudou para os conservadores sociais. Essa mudança pode ser atribuída em grande parte ao crescente poder, tanto cultural como político, da igreja evangélica no Brasil. Hoje, quase um quarto dos brasileiros se identifica como evangélico, acima de 5% em 1970”, diz a reportagem.
O “Washington Post” lembrou ainda que alguns líderes evangélicos encorajam seus fiéis a simplesmente não participar da festa, como o pastor Silas Malafaia, que advertiu em seu site que “este festival da carne traz consigo consequências físicas, morais e espirituais degradantes”, acrescentando: “Portanto, não é apropriado que os cristãos participem”. Citou também o famoso carnaval de rua de Olinda, que ganhou neste ano uma “zona do evangelho” e uma “zona LGBT”.
Também chamou atenção do jornal americano que, pela primeira vez desde 1991, a Globeleza dançou com roupas típicas da cultura brasileira, em vez do simples corpo pintado e o tapa-sexo usado nos anos anteriores. “Um número crescente de brasileiros vê a Globeleza como um símbolo da objetivação das mulheres”, explicou.
Sobre as marchinhas, o “Washington Post” lembrou o polêmico refrão de “O teu cabelo não nega”, de Lamartine Babo e dos Irmãos Valença: “O teu cabelo não nega, mulata/ Porque és mulata na cor/ Mas como a cor não pega, mulata/ Mulata, eu quero o teu amor”. De acordo com o jornal americano, “muitas das canções mais queridas do carnaval foram escritas nos anos 30 e 40 e usam uma linguagem que pode agora ser considerada controversa na melhor das hipóteses — e racista, na pior das hipóteses”.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior