Grupo de stand up paddle, formado por mulheres com mais de 40 anos, se destaca em competições

Uma prova diária de superação e determinação. Confiar em si mesmo para ultrapassar seus limites, testados pelo mar a cada onda. O Rosa Trainer foi formado de maneira quase orgânica pelo instrutor e professor de educação física André Rosa, há dois anos. A proposta inicial era ensinar stand up paddle (SUP) a pessoas de todas as idades. Em poucos meses, porém, ele viu crescer o interesse por parte de um público específico, mulheres com mais de 40 anos sem afinidade com o esporte, e apostou nele.

O grupo, com 12 integrantes de até 62 anos, colore as areias do Posto 1 da Praia da Barra, de segunda a sexta-feira, no início da tarde; e às terças e quintas, pela manhã. As aulas na areia incluem exercícios de fortalecimento e de resistência e ajudam no equilíbrio sobre o pranchão. Longe da praia, a lição continua: é recomendável ter alimentação balanceada e encontrar um jeito mais tranquilo de levar o dia a dia.

— Algumas alunas chegam aqui com traços de depressão, e a maioria com sobrepeso e estresse causado pelo trabalho. Nós entramos na água, treinamos e elas saem de outro jeito. A cabeça muda, que é o mais importante — garante o professor, de 37 anos.

O Rosa Trainer já vem se destacando em campeonatos no Rio e em outras cidades do país. A equipe conta com a empresária Claudia Mundim, de 58 anos, que, na competição Aloha, em Ilhabela (SP), no mês que vem, será homenageada com o prêmio Espírito Aloha. Com uma agenda cheia, dividida entre o trabalho em seu ateliê, na Barra, aulas de ginástica e o tempo com a família, ela diz que o esporte é uma maneira de relaxar e uma filosofia a seguir.

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— O SUP me deu vontade de viver mais ainda, independentemente do que esteja acontecendo ao redor. Mesmo quem tem mais idade pode curtir com qualidade. O esporte supera qualquer obstáculo. A onda motiva — diz Claudia.

Antes de iniciar a rotina de estudos e atendimentos, a médica Danielle Gregory, de 50 anos, gosta de pegar a prancha e começar o dia no mar. Ela entrou para o Rosa Trainer graças a uma amiga, Liliane Martins, que, por sua vez, conheceu o trabalho num campeonato. Disposta a vencer desafios, ela se dedica a melhorar técnicas e treinar para competições.

— Quando fui campeã, não tinha máster (categoria para competidores com 50 anos ou mais) nas provas que eu disputava. Participei concorrendo com meninas de 25 anos — conta Danielle, que coleciona prêmios, como o de vice-campeã na categoria Fun Race Feminino, no SUP Race.

André Rosa frisa que, apesar de cada uma ter sua história e suas ocupações, vê em todas o mesmo empenho em se preparar para competir.

— Elas se dedicam, fazem acompanhamento com nutricionista e fisioterapeuta e academia. Competem em caráter amador, mas fazem o mesmo circuito dos profissionais — observa o professor.

A empresária Marileide Beserra se lembra de quando entrou no Rosa Trainer, há quase dois anos, para superar o medo de nadar. Até então, aos 60 anos, não gostava nem de piscina. O primeiro teste ao lado do professor foi vestindo um colete salva-vidas e usando uma prancha bem larga. O amor pelo SUP foi à primeira vista. A partir daí, as conquistas vieram gradualmente:

— Na primeira vez em que remei para fora do Quebra-Mar, parecia que tinha aberto uma janela. Estava com medo. Quando fui às Ilhas Tijucas, foi como descobrir um novo mundo. Em cima de uma prancha, não existe idade. O mar é mágico.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Analice Paron / Agência O Globo