Quando o consultor de recursos humanos Dorival Donadão passa pelo número 391 da Avenida Ataulfo de Paiva, na esquina com a Rua Carlos Gois, no Leblon, um filme vem à sua cabeça:
— Foi no Cine Leblon que vi a versão remasterizada de “E o vento levou” com a minha mulher, há uns 20 anos. Estávamos comemorando uma data especial, ficamos hospedados no Copacabana Palace e, depois do filme, fomos jantar — recorda-se Donadão, de 66 anos.
Já a jornalista Constança Castello Branco, que mora no bairro desde criança, lembra que ia ao Cine Leblon com a mãe “ver filmes maravilhosos”. E que, às vezes, sapeca, dava um jeito de driblar a censura para conseguir assistir, com a irmã, às produções de Elvis Presley:
— Eram filmes proibidos para menores de 14 anos. Colocávamos meia no sutiã para parecer mais velhas e conseguíamos entrar. Era apaixonada por ele; me tremia toda na sessão — recorda Constança, aos risos.
Conforme antecipou a coluna Gente Boa, do GLOBO, o Cine Leblon reabre em março de 2020, segundo a construtora Mozak, responsável pela obra. O projeto é do arquiteto André Piva, que, aliás, também guarda lembranças do espaço.
— Eu sei de cor cada pedacinho desse cinema, de tanto que eu vinha. Assisti aqui a “O céu que nos protege”, de Bernardo Bertolucci. Achei incrível. Tão bom e tão denso que eu vim na sessão das 14h e resolvi ficar para a seguinte e assistir de novo.
De acordo com Piva, um dos principais pedidos do grupo Severiano Ribeiro, dono do Cine Leblon, foi que a fachada do estabelecimento, inaugurado na década de 1950, fosse preservada.
— A ideia foi essa: manter a fachada e deixar o cinema de rua como era. Estamos fazendo uma releitura do art déco. Os clientes vão entrar pela mesma portinha de madeira de antigamente, pelo mesmo lobby. A escadaria continua com os corrimãos dourados. Isso tudo vai voltar, e melhor. Também manteremos os letreiros luminosos, em acrílico — diz o arquiteto.
O trabalho será de formiguinha. Piva conta que encontrou “tudo deteriorado”:
— O mármore do chão, por exemplo, estava amarelado. Estou trabalhando com um escritório de restauro e pesquisando materiais que remetam aos originais.
As três salas de cinema terão “a mais moderna tecnologia existente no mundo em 2020”, segundo o grupo Severiano Ribeiro. Além do cinema e da sobreloja, com cafeteria e livraria, o terreno, de 1.361 metros quadrados, vai abrigar um centro empresarial de sete pavimentos com 58 salas comerciais e três andares no subsolo (dois para estacionamento).
— A intenção é que o terceiro subsolo vire um food hall, uma área de gastronomia, com vários restaurantes — afirma Carolina Lindner, gerente comercial da Mozak.
Apesar de o cinema ter fechado em julho de 2014, a obra só começou em novembro do ano passado. O imóvel fazia parte da Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) do Leblon e era tombado pela prefeitura. Na época, o projeto chegou a ser vetado pelo Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural. Mas o grupo Severiano Ribeiro conseguiu o destombamento do cinema em setembro de 2014.
— A motivação do projeto sempre foi preservar o cinema. O Cine Leblon está presente desde os anos de 1950 no bairro e faz parte da história de moradores e frequentadores da região. O projeto é uma oportunidade não só de mantê-lo, mas de modernizá-lo e reintegrá-lo à rotina do bairro — explica Luiz Severiano Ribeiro Neto, presidente do grupo.
VELHA PORTA DE MADEIRA E LOBBY SERÃO PRESERVADOS
O projeto é do arquiteto André Piva, que, aliás, também guarda lembranças do espaço:
— Eu sei de cor cada pedacinho desse cinema, de tanto que eu vinha. Aqui, assisti ao filme “O céu que nos protege”, do Bertolucci. Achei incrível. Tão bom e tão denso que eu vim na sessão das 14h, mas fiquei para a seguinte e assisti de novo.
Segundo Piva, um dos pedidos do grupo Severiano Ribeiro, dono do Cine Leblon, foi que a fachada, da década de 1950, fosse preservada. A obra é da construtora Mozak.
— A ideia foi deixar o cinema de rua como era. Estamos fazendo uma releitura do art déco. Os clientes vão entrar pela mesma portinha de madeira de antigamente e pelo mesmo lobby. A escadaria continua com os corrimãos dourados. Isso tudo vai voltar, e melhor. Assim como os letreiros luminosos de acrílico — diz o arquiteto.
As três salas de cinema terão “a mais moderna tecnologia existente no mundo em 2020”, segundo o grupo Severiano Ribeiro. Além do cinema e da sobreloja, com cafeteria e livraria, o terreno vai abrigar um centro empresarial de sete pavimentos, com 58 salas comerciais e três andares no subsolo (dois para estacionamento).
— A intenção é que o terceiro subsolo vire uma área de gastronomia — afirma Carolina Lindner, gerente comercial da Mozak.
Apesar de o cinema ter fechado em julho de 2014, a obra só começou em novembro de 2016. O imóvel fazia parte da Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) do Leblon e era tombado pela prefeitura. O grupo Severiano Ribeiro conseguiu o destombamento em setembro de 2014.
— A motivação sempre foi preservar. Desde 1950, o Cine Leblon faz parte da história do bairro — diz Luiz Severiano Ribeiro Neto, presidente do grupo.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto:Divulgação Cinema Leblon