Instituições de ensino incluem ações solidárias nos currículos escolares

Uma nova lição vem se tornando cada vez mais constante em sala de aula : a da solidariedade , que está fazendo alunos arregaçarem as mangas e se mobilizarem em iniciativas para ajudar o próximo . Estudantes do 8º ano da Escola Parque, na Gávea, por exemplo, estão organizando um jantar solidário que vai arrecadar fundos para obras de manutenção na Escola Municipal Francisco de Paula Brito, na Rocinha. Do convite à página no Instagram, passando pela definição do cardápio e o preparo da refeição. Cada etapa foi preparada por eles, com a supervisão da psicopedagoga Daniela Gonzalez Bastos Perez.

— Não queremos que seja uma ação assistencialista, mas uma troca de conhecimentos e realidades. E também a oportunidade de abrir esse canal com a escola, estreitando as relações com a comunidade — explica Daniela, contando que a inspiração veio a partir de uma experiência bem-sucedida promovida pela filial da Barra. — A ideia é que essa seja a primeira de muitas edições aqui na Gávea.

O jantar está marcado para 8 de novembro, às 19h. Ele será vegetariano, com opção vegana, para cem pessoas e aberto ao público em geral. O ingresso custa R$ 100 e pode ser adquirido na secretaria da escola. A estimativa é arrecadar R$ 10 mil.

A aluna Ana Roquete, de 13 anos, conta que as ações sociais são realizadas ao longo do ano na escola, como arrecadação de brinquedos, roupas e mantimentos para ONGs e hospitais. No jantar, ela vai integrar a comissão da cozinha junto com parte da turma.

— É muito gratificante saber que estou conseguindo ajudar outras pessoas e ver a mudança acontecendo. São duas escolas tão próximas e com realidades tão diferentes. Acho que o jantar será um elo para uni-las — diz.

Jovens arrecadam 72 bolsas de sangue para doação
Há 18 anos, um grupo de alunos da Escola Americana do Rio de Janeiro, na Gávea, decidiu se unir para, coletivamente, promover o bem-estar das pessoas em tratamento de câncer. Nascia assim o Club SOS.

— O Club permite que qualquer aluno da escola participe de suas atividades. É uma ótima oportunidade para nossos estudantes desenvolverem a consciência social, realizando serviços comunitários e promovendo a empatia e a solidariedade — explica Nigel Winnard, diretor da escola.

Em junho, os estudantes realizaram uma caminhada contra o câncer. Com a venda de camisas, arrecadaram R$ 45 mil para a reforma do ambulatório pediátrico do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Semana passada, uma campanha na escola arrecadou 72 bolsas de sangue e 180 metros de cabelos para doação.

Os estudantes podem ainda fundar grupos que abracem outras questões com ações que variam desde partidas de futebol solidárias a sessões de cinema para crianças de comunidades.

Solidariedade de mãos dadas com consciência social
Ao se tornarem professores por um dia, estudantes do nível médio têm a oportunidade de praticar o exercício da solidariedade. É assim na Escola Alemã Corcovado, em Botafogo, onde eles participam do chamado Estágio Social, como parte de uma proposta curricular de formação humanista.

— Ao longo do ano, eles escolhem uma instituição social parceira da escola e, em visitas semanais, fora do horário escolar, desenvolvem atividades de acordo com a demanda do local, como reforço escolar, recreação e narração de histórias. Os alunos também ficam responsáveis por campanhas de arrecadação de doações para essas instituições — conta Clarice Dahis, orientadora educacional do ensino médio.

Entre as instituições em que eles atuam estão a Casa São Bonifácio, a Escola Dom Cipriano, a Escola Joaquim Abílio Borges, a creche Mundo Infantil, o Instituto Refazer, a Creche Santa Clara e a Fundação Casa Santa Ignez. A Escola Alemã Corcovado também apoia projetos sociais da comunidade Santa Marta.

— O objetivo é proporcionar às instituições o apoio de estudantes e, ao mesmo tempo, estimular nos jovens uma consciência crítica e social, através de uma participação solidária efetiva — explica Vanessa Klevenhusen, orientadora educacional do ensino médio da escola.

No The British School Rio de Janeiro, na Urca, uma ação parecida vem levando alegria a crianças em tratamento oncológico. Uma vez por semana, alunos da Classe 7 (o equivalente ao 8º ano) encontram pacientes da Casa de Apoio à Criança com Câncer (CACCC). Nas ocasiões, eles jogam Heads Up tanto em português como em inglês.

— Elas têm se mostrado muito empolgadas para aprender palavras em inglês. Também organizamos narração de histórias, quando todos têm a oportunidade de ler uma passagem do seu livro infantil preferido — conta a professora Ilma Lima.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior