Camelôs se espalham por BRTs, passarelas e até trilhos do VLT

“Vamos separar o joio do trigo. Quem é legal fica no seu lugar, arrumadinho. Quem não é legal não pode”. A frase foi dita na última semana pelo prefeito Marcelo Crivella durante mais uma solenidade de entrega de crachás do programa Ambulante Legal , lançado por ele em agosto do ano passado e que até quinta-feira havia distribuído 4.221 autorizações em 69 bairros. Na prática, basta uma circulada pela cidade para ver que a ordem tem ficado só no papel.

Nos bairros já atendidos pelo programa, como Madureira , Méier , Copacabana e Centro , há camelôs ilegais atuando livremente. Lado a lado com os regularizados, alguns vendem até mercadorias proibidas para ambulantes, como óculos de grau, frutas, churrasquinho e roupas de grife falsificadas. Quando o programa foi lançado, a prefeitura estimava em 14.300 os ambulantes regulares e em quase 56 mil os irregulares.

— A gente entende que o país está em crise e as pessoas precisam trabalhar, mas é necessário um mínimo de organização. Tem lugar onde a gente mal consegue andar na calçada — reclama a advogada Mariana Bezerra, de 42 anos, moradora de Copacabana.

Em alguns casos, a falta de fiscalização permite abusos, como a ocupação de passarelas, dos trilhos do VLT e de estações de BRT e até o surgimento de um bar ao ar livre no entorno da Central do Brasil . Ali, no fim da tarde, os vendedores de cerveja com seus isopores espalham mesas e cadeiras, pela calçada do lado de fora da grade do terminal.

Em frente à Estação Mercadão do BRT, em Madureira, a travessia de pedestres está tomada por camelôs. A irregularidade se repete até dentro da parada, onde pelo menos dois ambulantes montaram balcões com caixotes, sobre os quais expõem biscoitos e doces. Ao lado, há isopores com cerveja. Na Tijuca , a Rua Conde de Bonfim, entre as ruas Major Ávila e a General Roca, tinha mais de 60 ambulantes na quinta-feira. Alguns montam suas bancas junto às portas das lojas. Nem ponto de ônibus escapa.

Para o presidente da Saara , Eduardo Blumberg, se o comércio ambulante no Centro foi organizado, ele ainda não percebeu. Para o presidente do Sindicato dos Lojistas do Rio , Aldo Gonçalves, a concorrência desleal com o comércio ambulante contribuiu para o fechamento de dez mil lojas na cidade desde 2018:

— Isso (o Ambulante Legal) é pura demagogia.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior