Prefeitura volta atrás e contrata estudo para investigar selante aplicado no Aterro do Flamengo

O prefeito Marcelo Crivella confirmou nesta segunda-feira que a administração municipal contratou um estudo independente para avaliar as condições de segurança da pista do Aterro do Flamengo, que passou por manutenção recentemente. De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Sebastião Bruno, a empresa desconsiderou a possibilidade de exsudação (quando o asfalto “transpira”, levando líquido à superfície). Na madrugada de domingo, duas pessoas morreram em acidente de moto, em frente ao Museu Histórico Nacional. Na semana passada, dois ônibus colidiram e o consórcio Intersul, responsável pelas linhas envolvidas na colisão, afirmou que a tinta utilizada para pintar a via vem causando acidentes.

— Fizemos ensaios para verificar neste final de semana, um ponto ou outro pode ter tido uma exsudação. A parte líquida pode ter subido a superfície e estar provocando o escorregamento, estamos analisando todo o aterro. A empresa desconsiderou isso e disse que o produto está enquadrado nos padrões mundiais — afirmou Sebastião Bruno.

Sebastião também afirmou que a depender dos resultados laboratoriais, a prefeitura irá atuar na correção de possíveis problemas na pista.

— Se houver necessidade, nós iremos corrigir. (A empresa) Rechaçou qualquer possibilidade da aplicação, ou a própria mistura não estar enquadrada, mas assim mesmo pegamos um laudo independente e estamos fazendo a avaliação — acrescentou o secretário.

Após acontecerem cinco acidentes envolvendo nove ônibus no mesmo trecho do Aterro do Flamengo num período de 13 dias , o consórcio Intersul, responsável pelas linhas envolvidas na colisão, Troncal 1, afirmou que a tinta utilizada para pintar o asfalto da pista com a chuva “piorou consideravelmente” as condições de tráfego. Na noite do dia 1º de novembro, uma pessoa morreu e 21 ficaram feridas — naquele dia, também chovia.

Rachaduras e remendos
Quem tem o costume de trafegar pela via assegura que os riscos são maiores quando chove. O taxista Sérgio Barbosa, de 68 anos, que trânsita por ali há mais de 40 anos, agora tem receio de passar pela pista molhada.

— Está muito perigoso, muito escorregadio. Tenho medo de passar quando está chovendo, principalmente porque pode ter algum motorista sem costume de passar pelo Aterro ou até sem a informação do que está acontecendo — disse ele, que já se deparou com diversos veículos acidentados na via nas últimas semanas.
O motorista Lourival Vaz dos Santos, de 70 anos, observou muitas rachaduras e remendos na pista.

— Causa estranheza tanta rachadura pouco tempo depois do serviço que realizaram — disse. — Dá para perceber nitidamente a diferença de uma pista para outra. Nos retornos, onde não houve mudança, o carro fica firme, mas basta acessar a faixa de rolagem e parece que vamos perder o controle — acrescentou.

Prefeitura muda o discurso
Procurada para comentar os repetidos acidentes na pista na última semana, a Prefeitura do Rio afirmou que os trechos estavam em “perfeitas condições”. O Município ainda informou que motoristas devem respeitar os limites de velocidade. Leia a nota:

A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação informa que não há qualquer problema em relação ao microrevestimento. Os trechos das pistas já concluídos estão em perfeitas condições. A SMIHC reafirma, no entanto, a necessidade de os motoristas respeitarem os limites de velocidade das vias.

A Betuseal, empresa, que está prestando o serviço de aplicação do selante asfáltico, negou que o produto possa aumentar o risco de derrapagem na pista. Em nota, disse que acompanha as avaliações da prefeitura e propôs a aplicação de uma camada adicional ndo selante asfáltico em alguns trechos, “que irá aumentar a rugosidade do pavimento além de um conjunto de ações de sinalização nos trechos mais críticos da via”.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior