O cancelamento do evento em comemoração ao 35º aniversário de tombamento da Pedra do Sal, na região portuária do Rio, na última terça-feira, pegou de surpresa comerciantes. O local foi interditado dia 11 pela Subsecretaria municipal de Proteção e Defesa Civil, após a queda de beiral da janela de um prédio. Foram isolados o trecho inicial da escadaria e uma área do calçamento no entorno do imóvel. O evento seria nesta quarta-feira, quando também é comemorado o Dia da Consciência Negra, mas os comerciantes só ficaram sabendo na véspera que não haveria a celebração.
Damião Braga, presidente do Conselho Diretor da Associação da Comunidade Remanescente do Quilombo Pedra do Sal (Arqpedra), disse que a interdição já deveria ter sido feita há mais tempo e teme que outros imóveis estejam na mesma situação:
— A queda (do beiral) foi às 15h. A sorte é que estava chovendo. Ali tem circulação grande de pessoas. Se não fosse a chuva, teria um acidente fatal. É preciso atenção aos outros imóveis, inclusive aos da Rua São Francisco da Prainha. Em algum momento, eles virão abaixo.
Além do evento do dia 20 de novembro, a Arqpedra também promove todo dia 2 de dezembro uma atividade pelo Dia Nacional do Samba. Esta também está cancelada.
— Nesse curto espaço de tempo, é impossível que façam alguma coisa até dia 2. Teriam que fazer em todo o prédio — explicou Damião.
Na tarde desta quarta-feira, em um dos bares mais famosos da região, o Angu do Gomes, o movimento ficou muito aquém do esperado para a data. O gerente da casa, Felipe Soares, disse que a expectativa de vendas costuma ser o dobro do movimento de dias comuns:
— Coloquei a feijoada como prato do dia. Para isso, temos um gasto maior. Se tivesse algum evento, aqui já estaria cheio. Se o evento fosse cancelado com antecedência, teríamos feito outra atividade para atrair os clientes.
O Largo de São Francisco da Prainha, em frente ao Angu do Gomes, estava vazio. Apenas alguns pequenos grupos de turistas passavam pelo local. No largo, havia outro bar e um café abertos. Dia 19, a equipe técnica da Secretaria de Urbanismo fez uma vistoria e comprovou que o prédio precisa realizar obras para recuperação da fachada. O proprietário foi intimado a reconstruir a fachada o mais rápido possível. Também foi emitida uma notificação de autovistoria para o prédio.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior