Viagem pelo caminho das letras

Luis Maffei é um homem apaixonado. Por “Os lusíadas”, de Luís de Camões; pela Tijuca, bairro onde nasceu e vive até hoje; e pelo Vasco. Nenhum dos temas, porém, está no livro que acaba de lançar pela editora Oficina Raquel. Em “O trenzinho do Dioniso”, quem ganhou destaque mesmo foi outra paixão de Maffei: o filho de 6 anos. Com a ajuda dele — que se chama, adivinhem, Dioniso, o professor de Literatura Portuguesa do curso de Letras da Universidade Federal Fluminense (UFF) descreveu, em forma de poema, as aventuras do protagonista e de seus amigos pelo planeta Terra.

Segundo Maffei, inicialmente a ideia era escrever uma história que dialogasse com o “Trenzinho do caipira”, poema do escritor Ferreira Gullar, morto em dezembro de 2016.

— O livro se chamaria “Trenzinho do caipira” mesmo. E seria feito só com ilustrações, inspiradas no poema do Gullar — comenta Maffei. — Convidamos a ilustradora portuguesa Sara Paz, que fez belos desenhos.

O professor conta que, quando recebeu as imagens, o filho viu e as achou lindas.

— Dioniso disse que o personagem principal se parecia com ele. Então, decidimos que colocaríamos texto e que ele seria o protagonista. A partir daí, o livro passou a se chamar “Trenzinho do Dioniso” — diz Maffei.

Segundo ele, assim como o trenzinho caipira de Ferreira Gullar, o personagem é um trem andarilho, que corre pela terra, pela serra e pelo mar.

— Fizemos os poemas de acordo com as ilustrações da Sara. O texto é basicamente meu, mas o Dioniso ajudou em diversas partes. Demoramos pouco mais de um mês para terminar — comenta Maffei. — Escrever com ele tem também a ver com introduzi-lo no universo dos livros de um forma diferente. Apesar de o meu filho ainda não saber escrever, a participação dele ajuda a criar intimidade com a leitura.

Raquel Menezes, mulher de Maffei e dona da editora Oficina Raquel, diz que as crianças vão adorar o livro.

— É bastante lúdico. Os pais não podem deixar de incentivar os filhos a lerem, ainda mais em tempos de excessivo contato com a tecnologia — diz Raquel.

Essa não é a primeira publicação para crianças que Maffei lança. Em 2014, ele já havia feito um, também de poemas, chamado “Valdemar e James: uns macacos muito amigos”. O professor acredita que a literatura infantil tem que ser agradável tanto para as crianças quanto para os adultos.

— Se um texto infantil não for agradável também para um adulto, pode ter certeza de que não é bom. Mas também não o é se for bom só para adulto — diz.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Fernando Lemos / Fernando Lemos