Turista australiano que passou noite no Alemão cria vaquinha virtual para crianças da favela

Australiano que ficou conhecido após passar uma noite no Complexo do Alemão , Hugo Stanley-Carey lançou nesta quinta-feira uma vaquinha virtual para ajudar os moradores da favela. A iniciativa arrecadou 2150 dólares australianos (cerca de R$ 6 mil) nas 15 primeiras horas e tem como meta chegar a 10 mil dólares australianos (aproximadamente R$ 27 mil).

– Como a minha história acabou tendo uma grande repercussão, vi que ela poderia ser uma oportunidade para eu ajudar as crianças que vi no Alemão. Vejo a vaquinha como um pequeno esforço meu para ajudar a vida deles a melhorar um pouco – explicou Carey, que trabalha como consultor de construção e design de uma empreiteira em Scarborough, cidade a 3500 km da capital, Canberra.

O projeto do australiano é doar o dinheiro para trabalhos sociais já existentes no Alemão e voltados para crianças nas áreas de artes, dança, educação e esportes – entre outras. São iniciativas como o projeto Na Ponta dos Pés, no qual a bailarina Tuany Nascimento dá aulas de balé para alunas com idades entre 4 e 15 anos. Caso a arrecadação da vaquinha ultrapasse a meta estabelecida, a quantia obtida será repassada a organizações com atuação em outras favelas do Rio.

– Vi vários trabalhos muito legais por lá e fiquei com vontade de ajudar, principalmente as crianças. O link pode ser acessado de qualquer parte do mundo e vários amigos e parentes meus aqui na Austrália já colaboraram. Até uma rádio daqui já noticiou a vaquinha – comenta o australiano.

Carey voltou para Austrália nesta quinta-feira, após quase um mês no Brasil. Ele chegou ao país no último dia 1º, passou por Búzios, Foz do Iguaçu e São Paulo e, no Rio, esteve em outras partes da cidade além do Complexo do Alemão, única favela carioca visitada pelo estrangeiro:

– Fui à Lapa algumas vezes e estive também em Ipanema e Copacabana. Confesso que não dormi muito enquanto estive no Rio. Gostei muito também de um grande mercado popular no Centro, chamado Saara. Adorei os alto-falantes e as pessoas dançando na porta das lojas.

O australiano conta que sua vontade de conhecer o Alemão foi despertada pelas fotos e vídeos mostradas por outro estrangeiro com quem dividia quarto no hostel onde estava hospedado, em Copacabana, e que fazia trabalho voluntário na comunidade da Zona Norte:

– Depois que vi as imagens, a ideia de ir ficou na minha mente. Tudo parecia tão legal.

Após um porre na Lapa na noite do último dia 16, o gringo tomou coragem, entrou em um carro de aplicativo e pediu ao motorista que o levasse à “favela mais perigosa de todas”. Deixado no Alemão, ele tomou cerveja ao lado de homens armados durante uma madrugada inteira, andou pelas vielas e foi encontrado bêbado pelos moradores, que o acolheram e providenciaram seu retorno a Copacabana. Uma semana após a aventura, Carey ainda faz piada com a experiência que viveu:

– Um amigo meu publicou nas redes sociais que há três tipos de turistas no Rio. O rico, que passeia na favela em carro de safári. O mais modesto, que faz caminhadas a pé pelas comunidades. E o louco, que pega um táxi bêbado e vai. Acho que o último tipo é o mais perigoso, embora admita que esse foi o meu caso. – diz ele – Mais cedo ou mais tarde, gostaria de voltar ao Brasil e visitar vários locais novamente. Na favela, não importa quem você seja, de onde veio ou quanto dinheiro tem: sempre será bem-recebido. As pessoas são muito amáveis.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior