Não foi num passe de mágica porque o resultado chegou depois de muito trabalho, mas sem dúvida um certo encantamento especial ajudou o musical “Um conto de fado padrinho” a vencer duas categorias do 11° Prêmio Zilka Salaberry de Teatro Infantil. A peça conta a história do primo da Fada Madrinha que vem ao Brasil em busca de uma princesa. A forma lúdica e divertida com que o espetáculo fala das belezas do país rendeu à trupe a vitória por Melhor Espetáculo de Niterói e Melhor Música do Rio e Niterói.
A premiação aconteceu no último dia 10, no Teatro Municipal da cidade. O roteiro é uma adaptação do livro homônimo da atriz e escritora Danielle Fritzen, com apresentação de Ziraldo. Ela destaca a importância do teatro no estímulo à leitura.
— Quando as crianças têm contato com a história e com seus personagens, contada e cantada em cena, sentem-se estimuladas a conhecer o livro. O teatro se torna um veículo de promoção da leitura. E foi por influência da literatura que desde pequena sempre soube o que queria fazer e onde queria estar: no teatro, inventando minhas histórias e dando vida a elas.
Danielle ressalta ainda a relevância da premiação na busca por um patrocínio para o espetáculo e para projetos futuros:
— O Prêmio Zilka Salaberry é a realização de um sonho, que foi sonhado em conjunto. Todos nós fazemos esse espetáculo, que na verdade é um projeto maior, na raça e com muito amor. Não temos patrocínio. Por isso, esse prêmio é extremamente importante, porque além do reconhecimento de um trabalho com muito esforço, pode nos ajudar na captação de recursos. Nosso objetivo é levá-lo para todo o Brasil.
CULTURA BRASILEIRA
Em fase de captação pela Lei Rouanet, a Imaginart, produtora da peça, tem planos de viajar com o espetáculo pelas principais capitais do país e pelo interior do estado, atendendo a um dos objetivos do projeto, de abordar a diversidade cultural brasileira, além de fomentar a promoção da leitura. De acordo com Danielle, a equipe também tem como projeto contemplar outras faixas etárias:
— Pensamos no público adolescente, com o objetivo de dar vez e voz a este segmento, e para o público adulto, com a abordagem de temas cotidianos. Sempre com a intenção de democratizar o acesso ao teatro e fazer com que a sociedade se aproprie da cultura como elemento transformador.
Para Zé Helou, um dos jurados do Prêmio Zilka Salaberry, “Um conto de fado padrinho” reúne tudo o que um espetáculo precisa ter e representa o potencial artístico de Niterói.
— Ganhou o prêmio merecidamente porque não é um teatro só pensado para criança; é um teatro bom. Tem elenco vibrante e alegre, que conta junto a história. A música é um trunfo, e todos os elementos dialogam bem, resultando num espetáculo excelente. Eu me diverti, as crianças e os adultos que estavam na plateia se divertiram. Niterói merecia esse espaço — pontua Helou.
A história que ganha vida nos palcos é uma inusitada trajetória de um Fado Padrinho português, primo da Fada Madrinha, que vem ao Brasil escolher uma princesa brasileira. A aventura é contada e cantada pelos artistas que vão se transformando e dando vida aos personagens embalados por música popular brasileira e bom humor. Nessa busca pela candidata ideal, os personagens andam pelas regiões do país e apresentam a diversidade e riqueza da nossa cultura, como a gastronomia de cada região, os sotaques e os tipos de dança. O texto fala ainda sobre respeito às diferenças, ao enaltecer a beleza de cada uma das candidatas, e reforça que todas podem ser princesas, independentemente de suas características.
O elenco conta com Danielle Fritzen, Aldo Perrota, Manuela Gwyer, Mariana Cerrone, Mario Neto, Raphael Pompeu e os músicos Renato Badeco e Marcello Sader. Este assina a direção musical, além de ser autor e arranjador de várias canções inéditas. A direção teatral é assinada por Bia Freitas, com coreografias de Luiz Menezes, iluminação de Raphael Grampola e produção executiva de Angélica Crispino.
— O teatro infantil trabalha elementos que ficarão na memória e estarão sempre associados a momentos de prazer e contentamento, proporcionando janelas abertas a infinitas possibilidades de ver e ler o mundo. Mas “Um conto de fado padrinho” vai além, é um musical para toda família, que traz para o palco toda a nossa brasilidade, calor, encantos, quitutes, virtudes e muitos sorrisos — avalia Angélica Crispino.
Slém de Niterói, o espetáculo, na estrada de 2015, já foi encenado em teatros do Rio e de cidades do interior do estado. A estreia aconteceu no projeto “Cores, sabores e emoção do nosso Brasil”, no Espaço Cultural Correios em Niterói. Naquele ano, o projeto contemplou gratuitamente a participação de 1.200 alunos da rede municipal de ensino.
Danielle Fritzen também faz parte da turma de escritores niteroienses da reportagem acima. Ela estará na Bienal do Livro, no dia 8, às 15h, lançando dois livros: “A bailarina e o soldadinho” e “Bento Vento, Bia Ventania”; este também ganhará vida nos palcos a partir de janeiro.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior