A tragédia que ocorreu no Museu Nacional, consumido por chamas na noite deste domingo, pode se repetir em outros prédios históricos do Rio de Janeiro. O alerta foi dado pelo arqueólogo Claudio Prado de Mello, do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueologia do Rio de Janeiro (Ipharj) e por um dos fundadores do coletivo SOS Patrimônio, Marconi Andrade.
Os dois, em conjunto com outros especialistas em patrimônio elaboraram ano passado um documento com uma listagem de 46 prédios históricos em risco na cidade.
– Não foi por falta de aviso. Temos dezenas de outros prédios em situação precária – afirmou Claudio. – Foram seis meses fazendo este trabalho e de nada adiantou.
‘Não foi por falta de aviso. Temos dezenas de outros prédios em situação precária’
– CLAUDIO PRADO DE MELLO
Arqueólogo
Segundo Marconi, a lista inclui prédios que são símbolo do Rio, como o Museu de Belas Artes, o Automóvel Clube, a Fazenda Capão do Bispo e a Fazenda Columbandê.
O engenheiro eletricista da UFRJ Marcos Pereira Machay, lotado no Museu Nacional, disse que apesar da estrutura do prédio histórico estar necessitando de reparos, a parte elétrica não se encontrava em estado precário. O técnico, que foi ao Museu na manhã desta segunda-feira, afirma que a Polícia Federal já está tomando depoimentos para averiguar a situação do museu.
– Não se pode dizer que as instalações elétricas estavam precárias. Nos últimos anos ela vinha passando por uma reformulação – afirma ele. – Mesmo assim, panes elétricas podem acontecer. O problema é que isto aqui é um barril de pólvora, com madeira e muitos materiais inflamáveis.
De acordo com Machay, a estrutura do prédio ainda preocupa. Um técnico da Defesa Civil ainda realizará a perícia das estruturas, mas agentes da PF também devem participar da investigação sobre as causas do incêndio.
– A polícia federal tem que fazer a perícia, porque se trata de um patrimônio da União. Ontem estive com um delegado aqui, e dois agentes da PF. O trabalho agora vai ser de descoberta do início do foco do incêndio – afirmou. – Conversando com oficiais do Corpo de Bombeiros vimos a suspeita do foco ter surgido no segundo andar. As manchas de chama na fachada indicam isso.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior