O refugiado sírio Mohamed Ali Abdelmoatty, que foi vítima de xenofobia, no dia 3 de agosto, quando inaugurava sua barraquinha de esfirras, em Copacabana, pode se tornar um cidadão fluminense. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio vota nesta quinta-feira o projeto que concede ao comerciante o título-benemérito. O deputado estadual Wanderson Nogueira (PSOL) acredita que a proposta, da qual é autor, ajuda no combate a esse tipo de crime racial:
“A postura deste homem refugiado diante da agressão sofrida por ele, demonstrada por suas palavras, revela a busca pela paz e por prosperidade que é sem dúvida um desejo de todos que buscam refúgio no Brasil. Somos absolutamente contra essa violência descabida. O preconceito estampado em alguns não pode se tornar normal. O Brasil deve ser um país acolhedor. Todos são bem-vindos e têm direito de buscar a felicidade”, disse Nogueira no texto do projeto.
Refugiado sírio Mohamed Ali recebeu homenagem na Câmara dos Vereadores do RioSírio agredido em Copacabana recebe homenagem da Câmara
Apesar de ter sido xingado e perdido boa parte de sua mercadoria, Mohamed, que mora há cerca de três anos no Brasil, não denunciou o caso na delegacia e afirmou amar o país. Logo que as imagens com as agressões se espalharam nas redes sociais, o sírio recebeu uma onda de solidariedade.
Inconformados, internautas organizaram um “esfirraço” para ajudar o refugiado. O evento lotou a esquina da Rua Rua Santa Clara com Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Além do dia lucrativo, o comerciante também foi homenageado na Câmara Municipal, e ganhou uma licença para trabalhar das mãos do prefeito Marcelo Crivella.
Atualmente, cerca de nove mil refugiados de 79 diferentes nacionalidades vivem no Brasil, desde que a legislação nacional passou a garantir a esse grupo o direito ao trabalho, à educação, à saúde e à mobilidade no território brasileiro.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Márcio Alves / Márcio Alves /04-08-2017