1 – Até hoje, a polícia não conseguiu identificar a motivação do crime. A Divisão de Homicídios acredita que o crime foi político, mas os próprios investigadores reconhecem não saber que interesses ela pode ter contrariado porque, em seus discursos e militância, não havia nenhuma ação diretamente ligada a um grupo ou atividade criminosa. Ela defendias questões como combate à homofobia e a políticas de afirmação da mulher. Sua atuação na CPI das Milícias foi encerrada há dez anos quando ela foi assessora do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). O criminoso estaria planejando a vingança desde 2008?
2 – Como os assassinos conseguiram passar pelo menos duas horas estacionados quase em frente ao prédio na Lapa em que Marielle participava de um debate sem serem abordados, num carro que poderia ser considerado suspeito, com vidros escuros, e portando pistolas ou submetralhadoras, armas que possivelmente foram usadas no crime?
3 – Por que, logo após o crime, no Estácio, policiais deram ordem para as pessoas que estavam na região deixaram o local e voltarem para suas casas, como disseram ao GLOBO testemunhas da execução, que relataram, dias depois ao jornal, detalhes da ação dos bandidos e da rota de fuga?
4 – Por que esses policiais militares não foram chamados para explicar à polícia a razão de terem feito isso? Eles não foram convocados a prestar depoimento?
5 – Por que os PMs não agiram rápido, assim que chegaram ao local do crime, informado por rádio sobre a possível rota de fuga dos criminosos para outras equipes que estavam nas ruas, em outros pontos da cidade, tentarem interceptá-los? Sem essa atitude, considerada padrão na ação policial, os assassinos puderam fugir e, como usavam um carro clonado, ficou mais difícil, depois, localizá-los.
6 – Por que câmeras de segurança do local estavam desligadas. Eram equipamentos do Centro de Operações da Prefeitura que poderiam ter dado informações valiosas sobre a dinâmica do atentado e até mesmo sobre as características dos bandidos.
7 – Por que, até hoje, Centro de Operações da Prefeitura não esclareceu o motivo de as câmeras estarem desligadas naquele horário, num ponto onde normalmente acontecem blitzes da Lei Seca e de grande circulação de veículos? Não foi dito, por exemplo, se os equipamentos tinham defeito, que defeito e se estavam em manutenção ou se apenas estavam inoperantes. Também não foi informado se foi aberta alguma investigação administrativa para tentar descobrir se houve alguma irregularidade na operação dos equipamentos e quem era o responsável pelo plantão no dia do crime.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior