Um casal de namorados denunciou a agressão de um motorista de Uber nesta quinta-feira (25) na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, no Centro do Rio.
O condutor tinha uma arma dentro do carro e agrediu o casal com chutes e coronhadas, relatou um dos agredidos.
Célio Ferreira Júnior, de 29 anos estava com o namorado Filipe Pazzoto, a mãe, de 69 anos, e o afilhado, de 17 anos, em Botafogo, na Zona Sul, quando pediu o Uber para chegar até a Estação das Barcas, na Praça Quinze, no Centro. O caso aconteceu na tarde de quarta-feira (24).
Em entrevista ao G1, o roteirista contou que antes mesmo do embarque, o casal já tinha percebido que havia algo errado.
“A gente chegou de mãos dadas e o motorista não abriu a porta. Ele disse que eu não era a Maria, que é minha mãe, e eu disse que ela estava descendo. Só na terceira vez que eu pedi ele abriu[a porta]”.
Ele contou ainda que durante a viagem o motorista agiu de forma bruta “batendo no volante e bufando”. Célio disse que eles não demonstraram nenhum ato mais afetivo enquanto estavam na presença do condutor.
Segundo o roteirista, quando chegaram na estação das barcas, ele pediu que o motorista parasse poucos metros à frente para que a mãe, que está se recuperando de um câncer de pulmão, não precisasse andar até uma farmácia. Célio disse que o Uber negou o pedido dizendo que ia parar ali onde já estava.
Nesse momento, o condutor chamou o casal de “viadinhos”. Célio disse que cobrou dele a agressão verbal e levou um tapa no rosto. Em seguida eles foram intimidados com uma arma.
“Quando senti que ele era uma pessoa descontrolada, eu puxei minha mãe e saí. Olhei para trás e o Filipe estava impedindo que o motorista viesse para cima da gente. Ele entrou no carro de novo e eu pensei ‘graças a Deus’, mas ele saiu com uma pistola”, relatou Célio.
O roteirista contou que o condutor primeiro botou a arma no peito de sua mãe porque ela estava mais próxima dele.
“Minha mãe gritava ‘não mata meu filho, não mata meu filho’”.
Motorista de Uber é acusado por passageiros de agressão. — Foto: Reprodução/Acervo pessoal Motorista de Uber é acusado por passageiros de agressão. — Foto: Reprodução/Acervo pessoal
Motorista de Uber é acusado por passageiros de agressão. — Foto: Reprodução/Acervo pessoal
Célio relatou ainda que o motorista deu uma coronhada na cabeça dele e derrubou Filipe, que se machucou e está com o braço imobilizado.
O casal fez exame de corpo de delito e boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. O G1 entrou em contato com a Polícia Civil, mas até a publicação da reportagem ainda não tinha recebido a resposta.
Em nota, a Uber disse que “considera inaceitável qualquer forma de violência e de discriminação em viagens pelo aplicativo”. A empresa informou, ainda, que o motorista foi desativado do aplicativo. Veja a íntegra da nota abaixo.
O crime ganhou repercussão nas redes sociais após a cantora e atriz Clarice Falcão divulgar na sua conta do Twitter. Por volta das 20h desta quinta-feira (25), a publicação tinha mais de 18 mil compartilhamentos.
Clarice Falcão divulgou que o casal de amigos tinham sido alvo de ataque homofóbico. — Foto: Reprodução/Twitter Clarice Falcão divulgou que o casal de amigos tinham sido alvo de ataque homofóbico. — Foto: Reprodução/Twitter
Clarice Falcão divulgou que o casal de amigos tinham sido alvo de ataque homofóbico. — Foto: Reprodução/Twitter
Íntegra da nota da Uber
A Uber considera inaceitável qualquer forma de violência e de discriminação em viagens pelo aplicativo. O motorista citado foi desativado do app assim que soubemos do caso. Entramos em contato com o usuário para oferecer apoio e informar que seguimos à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A empresa se orgulha em oferecer opções de mobilidade eficientes e acessíveis para todos – ao mesmo tempo em que oferece também uma oportunidade de geração de renda democrática, independente de credo, etnia, orientação sexual ou identidade de gênero (sendo a primeira empresa de ridesharing que permite nome social na plataforma).
Fornecemos diversos materiais informativos a motoristas parceiros sobre como tratar cada usuário com cordialidade e respeito e frequentemente realizamos e apoiamos campanhas em favor da diversidade e do respeito como forma de conscientizar usuários, motoristas parceiros e a sociedade em geral. Um exemplo é a campanha “Carnaval de Respeito”, realizada em parceria com a ONG Plan International, que foi divulgada para milhões de usuários e motoristas.
Como empresa de aplicativos de Internet, a Uber está sujeita à legislação sobre esse tema, incluindo o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/ 2014), e só pode compartilhar dados respeitando essa legislação. O Marco Civil da Internet é a lei federal que regula qualquer tipo de compartilhamento de dados no Brasil e proíbe o compartilhamento de dados pessoais com terceiros, exceto nos casos expressamente previstos em lei.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior