Rio terá ações de combate à violência contra a mulher

Durante as duas últimas semanas, centenas de blocos desfilaram pelas ruas da cidade trazendo Fridas, mulheres maravilhas, supergirls, Xenas e outras tantas guerreiras do imaginário feminino, que representam o empoderamento da mulher. Nos dias oficiais do carnaval, entre 24 de fevereiro e 1º de março, 2.154 mulheres romperam o silêncio para ligar para os serviços de emergência da Polícia Militar para denunciar agressões. Neste período, elas representaram 14% das chamadas ao 190. E é para homenagear este universo e incentivar ainda mais o combate à violência doméstica e ao preconceito de gêneros, que instituições e entidades no estado farão uma série de atividades educativas.

Às 11h desta segunda-feira, o procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem; e o secretário estadual de Educação, Wagner Victer, assinam convênio que dará início às atividades voltadas pelo Dia Internacional da Mulher, nesta quarta-feira, dia 8 de março, com a elaboração de videoaulas para o ensino da Lei Maria da Penha nas escolas públicas estaduais.

A iniciativa faz parte de um conjunto de ações que serão realizadas sobre o “Programa Lei Maria da Penha vai à Escola“, que, por meio da Lei Nº 7.477, de novembro de 2016, estabelece o ensino de noções básicas da Lei Maria da Penha na rede estadual de ensino.

As videoaulas ficarão prontas em até 30 dias após a assinatura do convênio. Segundo Wagner Victer, o projeto tem como proposta trabalhar de forma preventiva, tendo como público-alvo os estudantes e as equipes pedagógicas da rede pública estadual.

– As videoaulas serão excelentes ferramentas para apresentar aos alunos o conhecimento da Lei Maria da Penha, inclusive buscando reduzir o nível de violência contra as mulheres. As equipes das escolas estaduais serão capacitadas em relação às estratégias metodológicas no desenvolvimento do trabalho pedagógico sobre essa temática – afirma o secretário de Educação.

Os conteúdos sobre as noções básicas da Lei Maria da Penha serão ministrados em todas as disciplinas, em especial nas áreas de Português, História, Filosofia e Sociologia.

Já o Tribunal de Justiça do Rio vai intensificar as audiências que tratam da violência doméstica. a partir desta segunda-feira até o dia 10 de março, será realizada a 7ª edição da Semana da Justiça pela Paz em Casa, uma campanha liderada pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmem Lúcia, que consiste no esforço concentrado para resolver o maior número possível de casos de violência doméstica e de gênero.

Durante a semana, magistrados de serventias com competência para julgar crimes como feminicídio vão intensificar audiências e júris de processos que envolvam crimes de violência doméstica contra a mulher.

A Semana da Paz em Casa foi lançada em março de 2015, em comemoração ao Dia da Mulher. Entre os dias 9 a 13 de março, os magistrados fluminenses que atuam nos 11 Juizados Especiais de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher em todo o estado (cinco deles na capital) vão realizar 1.237 audiências e vão proferir 214 sentenças.

Em agosto do mesmo ano, durante a 2ª edição da Semana, realizada entre os dias 3 a 7, houve 1.399 audiências e foram proferidas 323 sentenças. A 3ª Semana da Justiça Pela Paz em Casa aconteceu no período de 30 de novembro a 04 de dezembro, quando foram realizadas 1.158 audiências e proferidas 921 sentenças.

Em março de 2016, a 4ª Semana da Justiça Pela Paz em Casa aconteceu no período de 7 a 11, tendo sido realizadas durante essa semana o total de 1.349 audiências e proferidas 1.786 sentenças. Entre 15 e 19 de agosto aconteceu a 5ª Semana e foram realizadas 1.033 audiências e 759 sentenças. A 6ª semana bateu o recorde de atendimentos, sendo realizadas 2.030 audiências e proferidas 2.586 sentenças.

Já a Federação Sul Americana de Krav Maga (FSAKM) vai realizar, em todo o Brasil, treinamentos gratuitos da defesa pessoal israelense, especialmente voltados para mulheres praticantes ou não dessa modalidade. A ideia é sensibilizá-las sobre a importância do combate à violência e mostrá-las que elas podem ser parte ativa da prevenção desse tipo de problema, crescente no Brasil.

Os treinamentos da Federação Sul Americana de Krav Maga serão destinados às mulheres maiores de 14 anos, independentemente de preparo físico ou de habilidade para artes marciais ou esportes.

Para este ano, a federação espera mais de 10 mil mulheres em mais de 90 pontos de treinamento em todo o país.

— Nosso objetivo é que as mulheres percebam que elas podem se prevenir contra a violência, mudando a forma com que elas lidam com o medo e com sua autoestima — afirma o israelense Grão-Mestre Kobi Lichtenstein, que é introdutor do Krav Maga no Brasil, fundador da FSAKM e faixa preta de 8º Dan.

Desenvolvido em Israel, na década de 40, por Imi Lichtenfeld, o Krav Maga não é uma arte marcial e sim a única modalidade reconhecida mundialmente como arte de defesa pessoal. Foi criado para que, a partir do treinamento adequado, qualquer pessoa, independentemente de sua idade, sexo ou forma física, possa se defender de um ou mais agressores, armados ou não, usando técnicas simples e eficazes.

Grão Mestre Kobi explica que, com a violência crescente nas ruas ou mesmo dentro de casa, as mulheres precisam estar preparadas para se proteger e para proteger seus filhos. “O treinamento de Krav Maga dá a essa mulher a condição psicológica e física para que ela vença o medo e seja ativa no combate à violência, nem que seja por meio da denuncia”, afirma.

Para obter mais informações sobre as novas turmas e agendar uma aula gratuita no estado as mulheres interessadas devem acessar o site: www.kravmaga.com.br.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo