Um estudo elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) a pedido do Ministério da Cultura aponta que, de janeiro a abril deste ano, um conjunto de 22 eventos (15 culturais, seis esportivos e um corporativo) movimentou R$ 5,93 bilhões no estado. Todos fizeram parte do programa Rio de Janeiro a Janeiro, lançado pelo governo federal para estimular o turismo.
O carnaval do município do Rio foi o que teve maior impacto econômico, R$ 3 bilhões, seguido pelo réveillon carioca, que movimentou R$ 1,94 bilhão, e pela folia em Angra dos Reis, que gerou R$ 234,8 milhões entre investimentos e receitas. O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, disse que o estudo da FGV ajudará os governos federal e estadual, além de prefeituras, a planejarem o calendário de forma mais eficiente, distribuindo melhor os eventos ao longo do ano.
RÉVEILLON E CARNAVAL PUXAM OS NÚMEROS
A necessidade de uma melhor distribuição é comprovada em números. Em janeiro, os eventos no estado, puxados pelo réveillon, movimentaram R$ 2 bilhões. Em fevereiro, com o carnaval, foram R$ 3,5 bilhões. Em março, o montante caiu para R$ 129,6 milhões, e, em abril, subiu para R$ 255,4 milhões. De acordo com Sá Leitão, é natural que os dois primeiros meses concentrem praticamente a metade do previsto para o ano — R$ 13,2 bilhões —, mas o objetivo é “fortalecer os outros dez”.
— O Rio de Janeiro a Janeiro foi elaborado justamente para estimular o setor, para que haja eventos significativos que possam crescer e alcançar o patamar do réveillon e do carnaval. Esses dois não se consolidaram da noite para o dia, o importante é fazermos um trabalho consistente e contínuo para incrementá-los. Precisamos também avaliar constantemente a efetividade do programa e mensurar seu efeito multiplicador — disse o ministro.
O impacto econômico dos eventos é calculado com base nos gastos dos frequentadores (turistas brasileiros e estrangeiros, além de moradores do Rio) e nos investimentos para a produção (serviços contratados, cachês, iluminação e infraestrutura, entre outros). No que diz respeito ao faturamento, são considerados os lucros obtidos com hospedagem, serviços (incluindo transporte), alimentação e compras em geral.
Ao longo do ano, serão 154 eventos dentro do programa Rio de Janeiro a Janeiro. A expectativa é que gerem 351 mil empregos e R$ 773 milhões em tributos. O total previsto de investimentos públicos e privados foi estimado em R$ 1,06 bilhão. De acordo com Sérgio Sá Leitão, o estudo da FGV destaca a importância de políticas de incremento do turismo.
— O estudo mostra a governantes que turismo também gera arrecadação tributária. A primeira reação do poder público quando há situações de crise é cortar uma série de investimentos. Cultura, por exemplo, é sempre uma das primeiras áreas penalizadas. Investimento em cultura, feito com planejamento, tem impacto positivo. Vale o mesmo para o turismo. Basta vermos o resultado do réveillon do Rio, que recebeu um investimento de R$ 25 milhões da prefeitura e proporcionou uma arrecadação de R$ 115 milhões em tributos — disse o ministro, que apontou o que considera o maior problema enfrentado pelo turismo no estado: — Há um conjunto de obstáculos para serem superados, mas, na minha visão, a questão central é a segurança pública.
ASSOCIAÇÃO PEDE MAIOR DIVULGAÇÃO DO RIO
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro, Alfredo Lopes, elogiou a iniciativa do governo federal de encomendar o estudo à FGV, porém cobrou uma maior divulgação do estado como destino turístico.
— O carnaval e o réveillon bateram recorde em número de turistas porque a rede hoteleira cresceu muito. Mas tivemos diárias com valores até 20% menores que os cobrados no ano passado. De qualquer forma, a pesquisa da FGV comprova, de forma muito clara, que turismo dá retorno em todos os níveis, gera empregos, movimenta o comércio e ajuda na arrecadação de impostos.
Lopes vai promover hoje um evento para discutir o impacto, no turismo, da intervenção federal na segurança pública do estado. Ele sugere a criação de um corredor de policiamento que ligue os cartões-postais do Rio, incluindo bairros como Lapa e Santa Teresa e a orla carioca.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo