“RAUL BARROZO DA MOTTA JUNIOR”
A campanha de Renan Santos (Missão), aposta no período de debates na televisão aberta, a partir de agosto, para vencer o desconhecimento e conquistar os eleitores que rejeitam a polarização protagonizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Presidente do Missão e coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan tem se colocado na disputa eleitoral como um “outsider” da política e um candidato antissistema – o anti-establishment. Ele mira o eleitor que atualmente está desengajado e rejeita Flávio e Lula.
Números de pesquisas eleitorais recentes animaram a equipe de campanha, que vê o desconhecimento de Renan e do próprio partido como maior barreira.
O crescimento registrado em pesquisas é visto pela campanha de Renan como um indicativo de que ele não será ignorado na participação em debates eleitorais. A assessoria do Missão participou das reuniões com emissoras e aguarda os convites formais, que devem ser feitos às campanhas nos dias que antecedem cada debate.
“Não há ato mais importante para uma democracia do que a participação nos presidenciais no debate”, afirmou Renan em vídeo divulgado na sexta-feira (24).
Na gravação, ele respondeu ao ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, que afirmou em entrevista à CNN que os debates serviriam para “o menino do MBL fazer corte para rede social”. A fala foi interpretada pelo presidente do Missão como o “medo” da pré-campanha de Lula de o presidente comparecer aos debates.
“A gente já soube que o sr. Flávio Bolsonaro também estava com medo, mas o Lula agora se tornou um fato. Lamento muito, eu sou um democrata acima de tudo e gostaria de ver ambos no debate. E aí o povo brasileiro vai poder escolher o Lula com o fracasso do governo dele, o Flávio Bolsonaro com o fracasso do governo do pai dele ou o futuro glorioso que nós propomos”, disse Renan.
Apesar da crítica ao governo de Jair Bolsonaro (PL), o ex-presidente contou com o apoio do MBL na campanha presidencial de 2018. O rompimento ocorreu ainda na metade da gestão de Bolsonaro.
Criado no ano passado, o Missão surgiu a partir do MBL, que teve Renan como um dos fundadores em 2014. A CNN apurou que para ganhar projeção nacional o candidato pretende adotar linguagem “disruptiva” – que prenda a atenção principalmente dos mais jovens – e visita a municípios menores.
As ações também incluem atualizações constantes nas redes sociais. No meio digital, Renan tem números competitivos, com 2 milhões de seguidores no Instagram. Em vídeos recentes, o candidato tem apostado em críticas a Flávio e a Lula.
O mesmo teor crítico aos dois adversários se repete no seu plano de governo. O documento prioriza o combate ao crime organizado, além de propostas como a substituição do Bolsa Família e o fim da política de cotas.
Pesquisas animam
A última pesquisa Real Time Big Data, divulgada na terça-feira (21), mostrou Renan Santos com 9% das intenções de voto no primeiro turno. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
Em relação ao segundo turno, um levantamento da Genial/Quaest, divulgado em 15 de julho, mediu intenções de voto entre Renan Santos e Lula. O atual presidente pontua 45%, enquanto o candidato do Missão soma 33% das intenções de votos.
O índice de votos em branco, nulos ou de pessoas que não votarão é de 18%. Aqueles que não sabem ou não responderam totalizam 4%. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
Desde abril, quando tinha 24% das intenções comparado a 44% de Lula no segundo turno, a pontuação de Renan tem crescido enquanto Lula está agora estabilizando nos 45%.