Refugiados participam de ‘abraço’ promovido pela Cruz Vermelha

Catástrofes naturais, guerras civis, perseguição religiosa. São diversos os motivos que trouxeram famílias do Congo, da Nigéria e do Haiti para o Brasil. Mas em comum todos têm o desejo por uma vida digna. Com o intuito de acolher esses refugiados, a Cruz Vermelha organizou na na manhã desta quarta-feira um abraço simbólico, com o apoio de funcionários e voluntários, em sua sede, no Centro do Rio.

Quase 100 pessoas, entre crianças e adultos, participaram das atividades. Os pequenos ganharam presentes de Papai Noel e assistiram a uma apresentação de teatro, enquanto os pais receberam cestas básicas, entraram em contato com familiares por telefone e escolheram roupas doadas em um varal solidário. Todos participaram de um lanche coletivo e tiveram acesso a consultas médicas e odontológicas.

A cabeleireira Merveille Mundi esteve presente e compartilhou a sua história. Ela fugiu do Congo há um ano e, emocionada, contou que não sabe o paradeiro da família. O pai foi assassinado de forma cruel, enquanto a mãe e os irmãos fugiram da guerra civil. Hoje, ela procura emprego e, para se sustentar, trabalha por conta própria, assim como a conterrânea Nenette Dwama, há três anos no Brasil.

Para Nenette, que mora na casa de um amigo, no bairro da Penha, o Brasil ainda é um bom lugar para viver, apesar da criminalidade.

– Aqui, é possível ter vida social. No meu país, eu vivia com medo – compara a refugiada.

O pastor Charles Mpembele também é originário do Congo e veio para o Brasil atrás da família. Segundo Charles, sua esposa foi perseguida pela polícia de seu país após organizar manifestações políticas e teve que fugir com os filhos. Ele ainda acredita que o Brasil é um local abençoado e, por isso, o escolheu como destino. Ambos não têm emprego e vivem de doações da igreja.

A haitiana Rose Eldafatton, de 33 anos, veio para o Brasil há quatro anos, após um terremoto em sua terra natal. Depois disso, a vida ficou mais sofrida e o futuro, inimaginável. Há apenas oito meses no Rio de Janeiro, ela trabalha em uma fábrica e espera trazer as duas filhas no próximo ano. Assistida pela Cruz Vermelha, Rose expressa sua gratidão sendo voluntária: ela dá aulas de inglês para crianças refugiadas.

Também do Haiti, Yosemithe Lojeune espera seu sexto filho, o primeiro brasileiro. Com 30 anos, ela abandonou a terra natal em busca de uma vida melhor e seguiu o caminho do marido, que conseguiu um emprego de pedreiro. Ruth Victor Mariano mudou-se em busca de um futuro própero para a família.

-As crianças estão estudando, eu já consegui emprego, então, está tudo dando certo – conclui Ruth.

A Cruz Vermelha presta assistência a refugiados durante todo o ano, oferecendo assistência social, psicológica e distribuição de cestas básicas.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior