Quase metade das coleções do Museu Nacional foi danificada em incêndio

Quase metade das coleções do Museu Nacional (46%, o que equivale a 17 coleções) foi perdida de forma parcial ou total, enquanto 35% delas (13 coleções) foram ou ainda estão sendo resgatadas, em um processo que deve durar até o primeiro semestre do próximo ano. De acordo com balanço da direção do museu, 19% das coleções (sete) pertencentes à instituição bicentenária não foram atingidas pelo incêndio, que completa um ano na próxima segunda-feira, porque estavam no Horto Botânico, na Quinta da Boa Vista.

Outra novidade anunciada pelo diretor da instituição, Alexandre Kellner, foi a cessão de um terreno ao museu próximo ao palácio com 44 mil metros quadros, uma demanda antiga. A área abrigará no futuro uma nova unidade do Museu Nacional dedicada ao ensino e pesquisa, com laboratórios e salas de aula, além da parte administrativa.

— O governo brasileiro cedeu esse terreno, já está apalavrado. É o terreno do campus cavalariço. Queremos construir um centro educacional. Se tiver financiamento, fazemos em seis ou, no máximo, nove meses — afirmou o diretor do Museu Nacional.

A reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Pires, acrescenta que o cercamento deste terreno e a construção da infraestrutura estão em fase de licitação, e o processo deve acontecer já no final deste ano. Para a obra, deverão ser usados cerca de R$ 30 milhões oriundos de emendas impositivas da bancada federal do Rio de Janeiro. De acordo com a reitora, há ao todo R$ 68 milhões disponíveis para obras na instituição: R$ 43 milhões são de emendas parlamentares impositivas, R$ 20 milhões do BNDES e R$ 5 milhões do Ministério da Educação geridos pela Unesco.

Além dessa verba, outros R$ 11 milhões já foram empregados na retirada de escombros, construção de uma cobertura sobre o prédio e o reforço das paredes do palácio. Parte desse dinheiro também foi usado no projeto executivo para a recuperação da fachada e de telhados da instituição. Esse estudo deverá ser concluído até o primeiro semestre semestre do próximo ano. Depois, as obras poderão começar.

— Pretendemos em 2022 inaugurar uma parte do palácio com exposições que vão festejar o bicentenário da Independência Brasileira. Já no próximo ano (queremos) reinaugurar a parte administrativa e acadêmica do Museu Nacional (campus da cavalariça, doado pelo governo federal) para melhorar a infraestrutura de ensino, pesquisa e extensão — acrescentou a reitora da UFRJ, Denise Pires.

Durante a coletiva de imprensa, a vice-coordenadora do núcleo de resgate do acervo, Luciana Carvalho, apresentou novos itens recuperados do museu. Entre eles, capacete e máscara de armadura samurai, que provavelmente entrou para o acervo de etnologia no século XIX; a lâmina de machado proveniente da Nova Zelândia, uma arma de guerra metálica feita do metal jade; e uma estatueta em bronze da deusa Bastet, que no Egito antigo era a personificação da deusa Selhmet, conhecida por proteger a saúde das pessoas, dos lares e da fertilidade.

Para Carvalho, ainda não é possível dimensionar o total de peças encontradas.

— Não temos um número total de peças resgatadas, que só teremos no inventário. Temos um número de 4.382 formulários registrados, mas isso não significa número de peças. Na maior parte dos formulários são lotes, peças com histórias em comuns registradas num único formulário. Existem lotes com centenas de peças. Falta muito pouco para ser resgatado — comemora Carvalho.

Obras emergenciais concluídas
As obras emergenciais de estabilização das estruturas do Museu Nacional e a execução de cobertura provisória do Palácio de São Cristóvão foram concluídas em julho deste ano. O serviço incluiu a instalação de um telhado para proteger o local até a finalização de todo o processo de salvamento do acervo e reconstrução do museu. A cobertura é composta por 30.000 barras de aço e pesa cerca de 147 toneladas — mais pesada que um Boeing 777.

A Concrejato Engenharia foi contratada em setembro de 2018 para executar essas e retirar escombros para o salvamento do acervo histórico do Museu Nacional. Ao todo, foram removidas das obras emergenciais aproximadamente duas mil toneladas de entulho, vigas metálicas e outros materiais destruídos pelo incêndio. Durante o trabalho, as equipes também acompanharam de perto o resgate do acervo.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Marcelo Theobald