“RAUL BARROZO DA MOTTA JUNIOR”
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém uma perspectiva positiva para as negociações com a União Europeia e acredita ser possível construir um acordo que evite restrições às exportações brasileiras de carnes devido ao uso irregular de antimicrobianos. A avaliação é do secretário executivo da pasta, Cleber Soares.
Segundo o Soares, o governo brasileiro ainda está negociando com autoridades europeias um protocolo de transição para atender às novas exigências do bloco relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
“O assunto está na pauta das negociações e nossa expectativa é avançar positivamente por conta da boa relação entre o Brasil e a União Europeia”, afirmou.
Soares explica que as conversas envolvem não apenas questões sanitárias, mas também temas comerciais, como a ampliação das exportações brasileiras de açúcar e etanol para o mercado europeu.
Mercado estratégico
Embora a União Europeia responda por menos de 5% das exportações brasileiras de carnes, o secretário destaca que o bloco continua sendo um mercado estratégico, principalmente pelo maior valor agregado pago pelos produtos.
Segundo ele, o governo trabalha para preservar esse mercado enquanto amplia oportunidades em outros destinos internacionais.
“O Japão remunera melhor determinados cortes, o México abriu um mercado importante para a carne brasileira e países africanos também vêm aumentando a demanda, especialmente por carne de frango”, disse.
Ainda assim, o Ministério considera importante chegar a um entendimento com os europeus, evitando impactos sobre a imagem da carne brasileira no mercado internacional.
Sistema sanitário
Para Soares as exigências da União Europeia não colocam em dúvida a qualidade da defesa agropecuária brasileira.
“O Brasil possui um sistema de defesa agropecuária extremamente robusto. Isso não pode, em hipótese alguma, denegrir a qualidade do nosso controle sanitário.”
Ele lembrou que o país possui um dos maiores programas de vigilância sanitária do mundo e destacou a rapidez no controle de episódios recentes, como os casos de influenza aviária.
Segundo o secretário, o Brasil exporta cerca de 43% da carne de frango comercializada globalmente, resultado que, segundo ele, demonstra a confiança internacional no sistema sanitário nacional.
Regra de transição
Soares explicou que uma das alternativas em discussão é estabelecer uma regra de transição para atender às novas exigências europeias.
Na avaliação do secretário, a adaptação é mais simples na cadeia de frangos, cujo ciclo produtivo é de aproximadamente 40 dias, enquanto a pecuária bovina demanda entre 18 e 20 meses para completar o ciclo.
“Estamos discutindo justamente uma transição para que esse processo ocorra de forma organizada, sem comprometer a competitividade do setor.”
O secretário, que participou do Veja Fórum Agro nesta terça-feira (16), ressaltou que as negociações ocorrem em nível técnico e diplomático, envolvendo o Ministério da Agricultura, o Itamaraty e a Presidência da República.