Cria da favela Para-Pedro, em Colégio, o designer gráfico Charles Silva sempre curtiu andar de skate. E o amor pelo shape de madeira com quatro rodinhas nas extremidades é tanto que, mesmo após concluir os estudos no Ciep 339 Mario Tamborindeguy, em Irajá, ele retornou à instituição para dar aulas sobre a modalidade, numa iniciativa que visava à ocupação das escolas públicas no fim de semana. Ele não sabia, mas era o começo do que hoje é a ONG Projeto Briza, que atende crianças de 6 a 12 anos e acabou de chegar ao Shopping Jardim Guadalupe.
— Esse trabalho existe há 11 anos, mas viramos ONG apenas há quatro, após ganharmos um prêmio d e projeto inovador em 2011. Logo começaram a me procurar para fazermos essa transição para entidade não governamental. Quando as oficinas no Ciep acabaram, chegamos a ir para praças abandonadas das redondezas. O problema é que limpávamos, pintávamos, deixávamos o ambiente tão interessante e frequentado que a prefeitura vinha logo em seguida e nos retirava do local, alegando que precisávamos de uma autorização para ocupar a área — reclama Silva.
A alternativa foi subir a favela Para-Pedro, onde mora a maioria dos alunos do projeto, uma das mais perigosas da cidade. Essa mudança, no entanto, foi feita com cautela e planejamento.
— Encontramos um espaço num lugar mais tranquilo. Mesmo assim, criamos um código de segurança, com dois pontos de fuga para as crianças em casos de tiroteio. Só este ano, já tivemos seis casos, mas em três deles conseguimos cancelar a aula a tempo — lamenta.
Os trabalhos da ONG promovem uma transformação na vida de 120 crianças por ano. Esse dado chamou a atenção da administração do Shopping Jardim Guadalupe. Há três meses, parte do estacionamento do local virou filial do Projeto Briza.
— Temos uma sala dentro do shopping como base, onde fazemos as matrículas das crianças de terça a quinta. A oficina completa dura dois meses, comporta 30 alunos e é inteiramente grátis. Estamos só esperando fechar uma turma para dar início aos trabalhos. Enquanto isso, temos feito um evento grande, um sábado por mês, para atrair o público e marcar presença — conta.
Na favela da Mangueira, um projeto nasceu há 30 anos e já atendeu aproximadamente 15 mil pessoas. O Círculo de Amigos do Menino Patrulheiro (Camp) Mangueira contribui para a formação socioeducativa de adolescentes e jovens, de 16 a 24 anos, deixando-os preparados para o mercado de trabalho.
— O programa começou na década de 1980, quando funcionávamos com a Lei do Estágio. Em 2005, migramos para a Lei do Jovem Aprendiz. Esse projeto foi criado por um juiz do interior de Minas, com a proposta de tirar meninos e meninas do ócio. Mas não nos limitamos a receber adolescentes e jovens e encaminhá-los às empresas. Nós damos um treinamento para eles não irem crus — explica o presidente da instituição, José Scalfone.
O Camp Mangueira prepara para as funções de auxiliar administrativo, repositor de produtos do comércio, auxiliar de limpeza e alimentador de linha de produção. A formação dura 30 dias, com uma capacidade total de 80 alunos. As inscrições podem ser feitas diariamente, na sede da entidade, na Rua Santos Mello 73, São Francisco Xavier.
Na Portela, 22 alunos do Por Telas iniciaram o processo de filmagem de documentários. O projeto é realizado pela produtora Canto de Sala, de Cecília Rabello, em parceria com a Portela e coordenado pelo cineasta André da Costa Pinto. Após um processo de seleção de 22 histórias, os alunos e o corpo docente escolheram filmar três argumentos. Para colocar o projeto em prática, formaram-se três grupos, onde cada aluno assume uma função diferente.
— Este curso tem sido um divisor de águas na minha vida. Sempre tive vontade de fazer cinema e estou realizando um sonho. As aulas são bastante produtivas, são muitos detalhes que aprendemos. Seremos profissionais completos — elogia o aluno Gentil Campos, morador de Guadalupe, de 56 anos.
O projeto, que abrirá vagas para novas turmas em breve, vai informar sobre inscrições no site da agremiação.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior