Cercar a areia da praia sem autorização da prefeitura é um ato ilegal, sujeito a multa, mas dezenas de festas particulares não foram impedidas de lotear a orla do Leme ao Leblon no réveillon. Algumas chegaram a ter 800 metros quadrados e foram cercadas por tapumes, grades e fitas. A prefeitura admitiu ter dado 20 autorizações para eventos em área pública durante a virada, mas não deu detalhes sobre quais festas tinham aval do município e nem explicou sobre a grande quantidade de “cercadinhos”.
De acordo com a Guarda Municipal, foram liberados eventos cujos responsáveis pagaram Taxa de Uso de Área Pública (TUAP), que varia de acordo com o espaço ocupado. A taxa mais alta foi, segundo a Guarda, de R$ 39 mil, no Leblon. A prefeitura assegurou ter feito ações de fiscalização, o que não impediu, entretanto, abusos como se viu no Leme, onde pulseiras VIPs para acessar áreas fechadas eram vendidas por até R$ 200. A Top Family, em Copacabana, disse ter recebido 49 convidados que pagaram R$ 20 de entrada.
— Não vi problema porque esse é o terceiro ano que a gente realiza a festa e todo mundo coloca tenda lá — disse Italo Silva, um dos organizadores.
Na semana passada, o então presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), Marcus Monteiro, recém-exonerado, chegou a acionar o Ministério Público para evitar eventos privados nas praias.
— É um absurdo, pois toda orla é tombada, do Leme ao Leblon. Essas pessoas privatizam a praia e não se faz isso sem a anuência do poder público — criticou.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior