Praças e oficiais da Polícia Militar têm aulas de meditação transcendental Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/pracas-oficiais-da-policia-militar-tem-aulas-de-meditacao-transcendental-18132068#ixzz3sVYpUqtn © 1996 – 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Há um crucifixo pregado na parede, uma plateia de 19 pessoas e, diante dela, um senhor engravatado. À primeira vista, pode parecer um culto evangélico. Até o “pastor” fazer o pedido: “Agora vamos fechar os olhos um pouquinho e respirar fundo”. Durante 20 minutos, o silêncio só não é absoluto no auditório do Quartel-general da Polícia Militar por causa do trânsito intenso na Rua Evaristo da Veiga.

Praticada no mundo todo, a meditação transcendental começou a ser testada esta semana pela PM. Idealizada pelo tenente-coronel Robson Rodrigues, chefe do Estado-Maior da corporação, a iniciativa tem objetivo de reduzir o estresse da tropa. Treinamento parecido já foi feito pela polícia da Bahia. Mas a inspiração vem mesmo de fora: o Exército americano não apenas incentiva sua força a meditar, como investe dinheiro nisso. Já foram US$ 4 milhões destinados à Fundação David Lynch, do diretor de filmes como “Cidade dos Sonhos”, para pesquisas sobre como reduzir a tensão entre os militares.

— Os Estados Unidos perdem mais militares que se suicidam do que mortos em confronto. O estresse pós-traumático não pode ser ignorado — diz o físico Joan Roura, diretor da fundação no Brasil e um dos professores dos policiais.

Lotado no batalhão de Niterói, o cabo Uthant Dolejsi nunca havia meditado. Sua forma de relaxar e esquecer um pouco a violência na área do 12º Batalhão é ficar em casa com a família. Filho de um tcheco que fugiu com os pais para o Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial, Dolejsi está há nove anos na corporação.

— Começamos há pouco tempo, mas já sinto como se estivesse mais acordado.

AULA COM PROFESSOR DE FAMOSOS

Durante três meses, uma turma de cem policiais, entre eles integrantes do Bope e do Batalhão de Choque, serão acompanhados por professores, coordenados pelo carioca Klebér Tani, dono de uma academia de meditação no Leblon, frequentada por famosos como a atriz Júlia Lemmertz. Depois, outros cem farão o curso, e os níveis de estresse antes e depois das aulas serão comparados. Tani explica que a tropa ficará mais zen se meditar em duas sessões de 20 minutos por dia:

— Durante o exercício, atinge-se um estado de consciência mais elevado, em que o repouso é até seis vezes maior do que no sono — afirma.

Em sua academia, o trabalho de uma semana custa R$ 1.480 à vista. Para os policiais será de graça, pago pela Fundação David Lynch.

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A técnica usada veio da Índia, desenvolvida pelo físico Maharishi Yogi. O homem viveu até os 90 anos e tornou-se um guru mundialmente conhecido quando os Beatles viajaram com ele, em 1968, para sua academia de meditação no Himalaia. Mas como isso veio parar na polícia do Rio de Janeiro? O tenente-coronel Rodrigues, doutorando em antropologia, conheceu Tani nos bastidores de um programa de rádio.

— A ideia é cuidar da nossa tropa. É um teste, uma quebra de paradigma na corporação. Como militares, temos receio de coisas assim. Mas, se a eficiência for comprovada, vamos ensinar a prática para o resto da corporação — diz Rodrigues.

Ele também pretende meditar.

Fonte: O GLobo
Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior