Piscina do Copacabana Palace vai fechar para obras em julho

Deu nas colunas sociais. Na virada de 1935 para 1936, a grande sensação entre os chiques do momento no Rio foi o mergulho na novíssima piscina do Copacabana Palace. Em anos anteriores, o famoso baile de réveillon do Copa emendava com o banho de mar. Foi, literalmente, um divisor de águas no estilo de vida do high society carioca. A juventude passou a aproveitar a piscina semiolímpica para praticar esportes, os mais tradicionais preferiam se reunir na sua borda para o chá das 17h. Inaugurada oficialmente no dia 7 de setembro de 1935 (12 anos após o hotel), com a participação de nadadores do Fluminense, a estrutura — que tinha 25m por 12m, trampolim, lava-pé e mais piscininha infantil — nunca mais sairia de moda. De Janis Joplin a Lady Di, uma constelação molhou seus pezinhos ali. Sempre de acordo com as tendências de diferentes épocas ao longo desses mais de 80 anos, ela passará agora por mais uma modernização. No dia 4 de julho, começa a ser esvaziada.

Por 30 dias, como adiantou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, ficará fechada a hóspedes e também a um grupo superseleto de cerca de 60 pessoas que possuem o chamado “cartão piscina”: são personalidades e moradores do vizinho Edifício Chopin, como a atriz Maitê Proença, que, a um custo de R$ 20 mil por ano, podem dar suas braçadas livremente no Copa, além de usar a academia do hotel. O “aquário” de luxo conta com salva-vidas 24 horas, e a temperatura da água é mantida permanentemente a 28 graus. O projeto da obra ainda não está completamente definido, mas é certo que a piscina ganhará borda infinita. A calha em volta, um detalhe meio démodé, será substituída por outra mais discreta. As mais de 70 espreguiçadeiras também serão trocadas, e a iluminação será assinada pela arquiteta Mônica Lobo. O investimento na piscina do hotel (que pertence ao Belmond, da rede Orient Express) será de R$ 2 milhões, explica a diretora-geral do Copacabana Palace, Andréa Natal, que já tomou drinques com o príncipe Albert de Mônaco, de roupão à beira d’água. O paisagismo do entorno está sendo desenhado pelo escritório Burle Marx.

— A piscina já teve trampolim e lava-pé, que era uma marca. Já teve uma ilha e também chuveiros para manter uma marolinha. Antigamente, as pessoas vinham vestidas, trocavam a roupa e depois passavam por um chuveiro. Era como se fosse um clube — conta Andréa, acrescentando que a piscina passou por pelo menos três reformas grandes, como em 1973, quando a ilha e a área infantil foram retiradas, e a profundidade, perto do antigo trampolim (que não existia mais), foi reduzida de 2,70m para um metro e meio. — A cultura da piscina foi mudando com o tempo. No passado, as pessoas usavam para nadar. Hoje, as mulheres vêm mais para pegar sol, cheias de protetor, e não fazem questão de entrar na água.

MERGULHO SÓ NO ‘BLACK POOL’

Enquanto os mergulhos estiverem proibidos durante a reforma, a opção será subir até o sexto andar e se refrescar na black pool: como o nome em inglês diz, uma piscina preta, bem menor, que é exclusiva para os hóspedes das sete suítes-coberturas, com diárias de R$ 6 mil a R$ 12 mil. Na black pool, fotos são proibidas.

Já a piscina grande, idealizada por Eduardo Guinle, por mais discreto que pareça o ambiente, é de fato um palco da cidade. Em 1991, Lady Di não escapou dos paparazzi quando desceu para nadar às 2h. Muitas outras estrelas foram flagradas ali. Em 1968, Mick Jagger, aos 25 anos, teve o almoço interrompido na beira da piscina por um grupo de repórteres. No carnaval de 1970, a cantora Janis Joplin chegou ao hotel sem reserva e acabou expulsa de lá porque deu um “tchibum” completamente nua. Muito antes dela, em 1942, Orson Welles foi protagonista de um escândalo: durante uma temporada de oito meses no hotel, ele teve, certa vez, um ataque de fúria e jogou móveis de sua suíte na piscina. No mesmo ano, Maria Lenk, primeira nadadora brasileira a bater um recorde mundial, começava a ensinar natação no Copa.

Quando a Orient Express comprou, em 1989, o hotel da família Guinle, ficou resolvido que era preciso organizar a frequência da piscina: a antiga “sede social” do Clube dos Cafajestes e point do colunista Ibrahim Sued passaria a ser um local mais exclusivo dos hóspedes.

O galerista Mario Cohen, ao se mudar para o Rio no começo dos anos 2000, vindo de São Paulo, acabou se instalando no prédio anexo ao Copa. Ficou quase um ano lá até se mudar para o Chopin, ao lado, com vista para a piscina onde nada todos os dias.

— Eu sou tão apaixonado pelo visual da piscina que uma vez botei uma pequena câmera na janela do Chopin que projetava imagens da piscina num telão que instalei no fundo do apartamento. Até que um dia, após uns sete meses, recebo um telefonema da relações-públicas do Copa pedindo um favor: seguranças do Sting haviam detectado a câmera e pediam, por gentileza, que fosse retirada — revela Cohen.

No mês em que a piscina ficará fechada, caberá aos seus admiradores observar uma grande intervenção que está sendo preparada pela artista plástica Maritza Caneca, com curadoria de Vanda Klabin. Ela, que fotografa piscinas de todo o mundo, cobrirá a mais icônica do Rio com imagens de pegada geométrica feitas de diferentes pontos.

— É uma piscina emblemática, que representa riqueza, glamour e por onde já passou muita gente famosa. Com as fotos, vamos trazer essa memória para dentro do Copa — avisa a artista.

Em 1949, a revista “O Cruzeiro”, num divertido texto, listou o público da piscina: grandes personalidades mundiais, reis destronados, falsos príncipes, negociadores de pedras, multimilionárias americanas, astros, estrelas e satélites… Por isso, só mesmo uma obra de arte para “cortinar” esse grande palco durante as obras.

Fonte: O Globo
Postado por:Raul Motta Junior
Foto: Chico Calmon (26-04-1991) / Agência O Globo