PGR defende validade da lei da dosimetria e pede rejeição de ações no STF

“RAUL BARROZO DA MOTTA JUNIOR”

A PGR (Procuradoria-Geral da República) defendeu a Lei da Dosimetria e afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o pedido para impedir a redução de pena dos condenados pelo 8 de janeiro deve ser rejeitado.

“O parecer é pelo indeferimento do pedido cautelar de suspensão das normas impugnadas”, diz. A manifestação da PGR se deu no âmbito de quatro ADIs (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

As ações questionam pontos centrais da lei, como a criação de uma causa de diminuição de pena para crimes cometidos em contexto de “multidão”, a facilitação da progressão de regime para crimes contra o Estado Democrático de Direito e a remição de pena para quem cumpre regime domiciliar.

No documento, o procurador-geral Paulo Gonet Branco argumentou que o Poder Legislativo tem autonomia constitucional e “margem de conformação” para definir a política criminal do país e os critérios de punição.

Segundo o chefe da PGR, o fato de a medida beneficiar diretamente réus de episódios específicos de grande repercussão não anula o caráter geral da lei.

A Lei da Dosimetria alterou dispositivos da Lei de Execução Penal e do Código Penal para flexibilizar regras de progressão de regime e remição de pena em condenações por crimes contra o Estado Democrático de Direito.

A legislação foi promulgada pelo Congresso após a derrubada do veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto foi alvo de ações no STF movidas pelo PDT, pela federação PSOL-Rede, pela federação formada por PTPCdoB e PV, além da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

As ações alegam que a medida viola princípios constitucionais e teria sido elaborada para beneficiar investigados por tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Fonte CNN BRASIL